Londrina pergunta: cadê o teatro?
Não é de hoje que Londrina reivindica um Teatro Municipal em que se possam ser encenadas produções de todos os portes. Paralelo a isso, o movimento teatral da cidade atravessa uma fase não muito boa - a produção local anda escassa e a ausência de companhias de fora refletem bem a situação dos atuais espaços.
Oficialmente, Londrina tem apenas duas salas: o Cine-Teatro Ouro Verde e o Teatro Zaqueu de Melo. O restante são espaços alternativos como o Núcleo I e teatros particulares como o Filadélfia, Marista e Crystal Palace, além de salas adaptáveis em escolas, hotéis e clubes.
A maioria está mais voltada para atividades escolares, palestras, convenções e formaturas. Ou seja, dá para contar nos dedos os espaços físicos adequados e que justificam a fama de celeiro teatral que Londrina tem lá fora. Essa constatação reforça o consenso entre a classe teatral de que Londrina é carente de espaços apropriados para eventos culturais. Uma cidade que se gaba de ser pólo cultural está precisando mostrar que, além de fama, tem estrutura para comportar, no mínimo, as poucas produções locais, além de suprir a demanda de um festival que há mais de 30 anos garante - pelo menos uma vez ao ano - o calendário teatral.
O diretor Paulo de Moraes, que junto com a Armazém Cia. de Teatro trocou Londrina pelo Rio de Janeiro, avalia que o dito pólo cultural é afetado principalmente pela falta de espaços. No Ouro Verde, por exemplo, é difícil conseguir pauta, já que o calendário é dividido com cinema, formaturas, etc. Outro problema é que a estrutura técnica do local é muito fraca, diz.
A diretora artística do Filo, Nitis Jacon, também concorda que a falta de espaços apropriados inviabiliza um fluxo maior de espetáculos na cidade. As companhias sabem que ao vir a Londrina deverão se apresentar no Ouro Verde, que além da falta de equipamento, tem palco pequeno e camarins inadequados, analisa. Para Nitis, a construção de um teatro é fundamental para que a cidade evolua culturalmente, influenciando até a região.
Já o diretor, ator e dramaturgo Mário Bortolotto - que deixou Londrina para trabalhar em São Paulo - se mostra cético em relação à construção de um teatro municipal. Não sei até que ponto vai ser legal. Tudo vai depender da política de ocupação. Esse novo espaço não pode, por exemplo, ser coordenado por um burocrata. E nem por panelinhas, complementa.Dorico da SilvaConsiderado um espaço alternativo, o Teatro Marista hoje, em Londrina, é o melhor do ponto de vista técnico, com boa iluminação e acústica, além de camarins confortáveisJackeline Seglin





