Londrina mostra vitalidade
PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de janeiro de 1999
Da Redação 
Crise, queda nas bolsas, fuga de capital estrangeiro. Quase tudo o que parecia um pesadelo para o Plano Real ocorreu em 1998, dificultando a captação de verbas e patrocínio para realizações culturais. Mas, ao fazer um balanço dos projetos que mais se destacaram em Londrina, dos fatos mais relevantes, constata-se que o ano foi pródigo em eventos que variam de shows a inaugurações de novos espaços.
No teatro, por exemplo, a cidade deixou de ser a sede do Armazém. O grupo se instalou no Rio de Janeiro e foi premiado em abril com o Troféu Mambembe pela peça Sob o Sol em Meu Leito Após a Água, considerado um dos melhores trabalhos de 1997, com texto de Maurício Arruda Mendonça e Paulo de Moraes.
Arquivo FolhaCena de Sob o Céu em Meu Leito Após a Água: grupo Armazém recebeu em abril o Troféu MambembeA dupla também assinou texto e direção de Alice Através do Espelho, encenada pelos formandos da Escola Municipal de Teatro de Londrina. Adaptada do texto de Lewis Carroll, a peça arrancou elogios, atraiu o público e reafirmou a importância da Escola.
Mais um ano se passou e o Teatro Municipal não saiu do papel. Em compensação, O Colégio Marista inaugurou em junho seu teatro próprio, um projeto arquitetônico com sala para 940 lugares em uma construção com área total de 2.200 metros. A inauguração contou com apresentações do Duo Milewski e do Ballet de Londrina.
As novidades também cercaram o Festival Internacional de Londrina, que investiu em um grande bar para receber espetáculos variados. Entre as feras que se apresentaram, estavam Luiz Melodia, Uakti, Itamar Assumpção, Ângela Maria, Cauby Peixoto, Bernardo Pellegrini e o Bando do Cão sem Dono e Jards Macalé, entre outros.
Shows, aliás, não faltaram. Passaram pelos palcos londrinenses grupos e cantores como Racionais MCs, Charlie Brown Jr., Os Raimundos, O Rappa, Renato Teixeira, Pena Branca e Xavantinho, Made in Brazil, Paralamas do Sucesso, Skank, Titãs, Barão Vermelho, Negritude Jr., Art Popular, Só Para Contrariar, Zezé Di Camargo e Luciano, Daniel, Alcione, Gabriel, o Pensador, Pato Fu, Rita Lee, Blues Etílicos, Paulo Freire, Antônio Carlos & Jocafi e Terra Samba, entre outros.
O Festival de Música também movimentou o município, confirmando a tendência de abrir espaço para a música popular e o jazz, com a presença de instrumentistas como Benjamin Taubkin, Joel Nascimento e Mané Silveira, além de grandes nomes da música erudita.
Novos espaços foram inaugurados. Em setembro, as portas do Arquivo Cultural, montado pela Associação Cultural Banestado e Associação dos Artistas Plásticos de Londrina, foram abertas na casa da família Roehrig, na Higienópolis esquina com Tupi. O espaço reúne exposições de esculturas, quadros e gravuras.
Após um ano de reformas, o Museu de Artes de Londrina foi reinaugurado com um acervo composto por 45 obras de artistas como Juarez Machado, Siron Franco, Aldemir Martins, Caciporé Torres, Cláudio Dantas, Cléber Machado e Sérvulo Esmeraldo.
O ano também foi de mudanças estruturais na Lei de Incentivo à Cultura da cidade. A Lei - que é a única do País que permite reverter 40% do imposto devido, IPTU ou ISS - ganhou nova regulamentação, após pesquisa realizada por funcionários da Secretaria de Cultura
Apesar de 1998 ter sido um ano de vacas magras, o setor cultural mostrou vitalidade - embora alguns dos fatos citados sejam motivos de polêmicas -, que deve ser mantida para enfrentar os remédios amargos que o governo federal promete para 1999, na tentativa de estabilizar a economia do País.


