O céu estrelado ficará mais ''próximo'' dos londrinenses. A notícia ainda não se espalhou, mas é provável que a cidade finalmente coloque em funcionamento o planetário municipal. O prédio está abandonado há quase dez anos, desde que foi inaugurado com pompa ao lado da Supercreche, no Centro da Cidade.
A Secretaria de Educação encampou a idéia de abrir suas portas propondo a aquisição de equipamentos. ''Decidimos assumir o projeto. Já nos requisitaram o espaço para realização de cursos, mas negamos. Queremos preservar o edifício, que está em condições quase perfeitas de utilização'' anuncia Magda Tuma, a titular da pasta.
Segundo ela, a secretaria está fazendo os levantamentos técnicos e financeiros para ter mais clareza sobre as linhas de ação a serem adotadas, especialmente no que diz respeito à escolha do projetor, a principal peça de um planetário.
''É um equipamento de alto investimento e que exige estudos aprofundados e consultoria de especialistas antes de sua aquisição. Estamos analisando as várias opções'' salienta. O aparelho projeta um céu artificial, gerando imagens de astros numa tela. Os espectadores se distribuem em círculo ao redor da máquina, que fica situada no centro da sala.
Em Londrina, ele será instalado sobre uma cúpula hemisférica de 8 metros de diâmetro. No Brasil, os 16 planetários existentes operam em sua maioria com projetores importados da Alemanha. Alguns, dependendo do modelo, chegam a custar entre 700 mil e 2 milhões de dólares. Há projetores fixos, de grande porte, e móveis, que podem ser transportados para salas de aula.
Os mais complexos incluem dispositivos capazes de reproduzir até 9.100 estrelas fixas, bem como simular viagens espaciais e o movimento isolado ou conjunto dos corpos integrantes do sistema solar. Alguns planetários abrigam projetores, telescópios, sala para exposições, loja de souvenirs e auditórios. Além de funcionarem como centros de difusão científica, transformam-se em opção de lazer.
As conversas iniciais da Secretária de Educação foram com docentes do departamento de Física da UEL, técnicos do Observatório Nacional de Itajubá e astrônomos amadores locais. A comunidade acadêmica comemora a iniciativa. A doutora em Astrofísica e professora da UEL, Rute Helena Trevisan, participou da construção do planetário em 1993 e vê com euforia a retomada da obra.
Ela conta que, no ano passado, apresentou um projeto detalhado à Prefeitura sobre o uso do espaço. ''O planetário exerce um um papel fundamental no ensino da astronomia e é capaz de incrementar até o turismo, já que as pessoas ficam maravilhadas durante as sessões de observação'' diz. Na Universidade, Rute é a responsável pela área de astronomia do Museu de Ciências, que está em fase de construção no campus e que contará também com um planetário.
Para os pesquisadores autodidatas, o eventual funcionamento de dois planetários na cidade seria a realização de um sonho antigo, já que há mais de três décadas eles se empenham na divulgação das ciências espaciais e na construção de telescópios. A iniciativa da atual administração municipal provocou entusiasmo na turma.
''Os astrônomos amadores de Londrina estão ativos, mas trabalhando isoladamente, cada um em seu canto. É só acionar o alarme vermelho que todos voltam a se reunir para ajudar nessa empreitada'' avisa Dario Rostirolla, 35 anos. Dario até já apresentou um projeto de construção artesanal de um projetor de planetário, sem qualquer garantia de que receba sinal positivo da Secretaria.
''Mesmo que ele não seja aprovado, vou desenvolver a experiência por conta própria. Já estou montando uma oficina operacional. O meu interesse é no desenvolvimento da astronomia na cidade'' afirma. Por enquanto, os apaixonados pela ciência contam apenas com um observatório no Colégio Máxi e alguns telescópios espalhados entre a UEL e as casas dos astrônomos amadores.

mockup