A comunidade londrinense pode contar com um novo serviço de apoio junto à Secretaria Municipal da Cultura. Desde janeiro está funcionando na cidade uma incubadora de projetos que tem como objetivo ajudar na viabilização de produções culturais. A idéia inclui o apoio na elaboração de projetos e orientação no decorrer do processo, prestação de contas, diálogo com agentes culturais e investidores, intercâmbio com demais secretarias e a comunidade, assessoramento nas leis de incentivo, entre outras atividades.
Valdir Grandini Álvares, coordenador da incubadora, diz tratar-se de uma nova filosofia de relação com o empreendedor cultural e a comunidade. ‘‘A incubadora é um setor criado na Secretaria para ser mais abrangente na assessoria aos produtores. Queremos que a comunidade se sinta mais produtora de cultura e não apenas consumidora’’, diz.
Segundo o coordenador, existem pessoas que trabalham com cultura na cidade e não consideram o fato por não se sentirem à vontade para apresentar projetos e às vezes por nem saber da existência de leis de incentivo. ‘‘Muitas vezes a pessoa tem o projeto na cabeça, mas falta experiência. Vamos orientá-la em todos os sentidos, antes, durante e depois da realização do projeto’’.
Algumas alterações no edital da Lei de Incentivo para 2002 também devem ser discutidas em breve com os empreendedores no intuito de facilitar o processo. Na seleção deste ano, vários projetos deixaram de ser aprovados por falta de documentação ou organização. De acordo com Álvares, a idéia é acabar ou diminuir este tipo de empecilho. ‘‘Queremos incluir uma etapa de pré-seleção ou orientação prévia para que muitos aspectos sejam sanados antes da avaliação’’, comenta.
O trabalho de divulgação da Lei de Incentivo e a discussão com empresários sobre a importância da cultura é um aspecto considerado fundamental por Valdir Álvares. Ele acredita que ainda há muito desconhecimento sobre o processo e um trabalho de esclarecimento pode facilitar a vida do empreendedor. ‘‘Além disso, pode abrir possibilidades do empresário enxergar o potencial da cultura em benefício da cidade e de sua empresa. Será possível começar outra relação, de investimento mesmo, e não de repasse de imposto’’.
A incubadora também vai trabalhar a viabilização de projetos em conjunto com outras secretarias. O objetivo é estabelecer a relação da Cultura como todos os serviços ligados mais diretamente à comunidade, como as pastas de Ação Social, Agricultura, Educação, Saúde e outras. ‘‘A Cultura tem poder de criação, de mobilização e inserção social. Vamos propor atividades integradas. A incubadora conhece os empreendedores e os projetos. Numa conversa com as demais secretarias podemos apontar as relações do projeto com determinada área e direcioná-lo para que se realize com outros recursos, não necessariamente da Lei de Incentivo ou Secretaria da Cultura’’. De acordo com o coordenador, alguns projetos não aprovados para a Lei de Incentivo por motivos burocráticos podem ser integrados no intercâmbio.
No intuito de auxiliar na captação de recursos, a incubadora será uma fonte de informações sobre formas de incentivo (federais, estaduais, privadas, organizações internacionais, etc). ‘‘Vamos montar um banco de possibilidades de realização de projetos. Já estamos organizando uma série deles para a Lei Rouanet’’, adianta.
Uma proposta da Secretaria da Cultura, sugerida pelo secretário Bernardo Pellegrini, é a criação de um material baseado em várias pessoas importantes que passaram por Londrina – como o antropólogo Claude LSvis-Strauss e o arquiteto Villanova Artigas – e têm histórias interessantes sobre suas experiências. ‘‘É uma espécie de memória viva que constitui sua influência sobre a cidade’’, analisa Álvares. ‘‘Poderia ser o primeiro livro de uma série, na qual artistas descrevem sua experiência, usando a memória como algo que alimenta o presente. Assim como essa, queremos outras idéias trazidas pela comunidade’’.

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