Londrina ganha nova editora
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sexta-feira, 12 de junho de 2015
Marcos Roman<br>Reportagem Local 
Criada com o objetivo de fomentar o mercado literário pé-vermelho, a Editora Madrepérola lança hoje seu primeiro livro. Reunindo crônicas do também estreante Juba Heerveerson, "Leve" será apresentado ao público em noite de autógrafos a partir das 19 horas, no Bar Brasil.
A editora nasceu de um projeto criado por Rafael Rodrigues e Felipe Pauluk. "O Rafael trabalhou por muitos anos como editor de livros em grandes editoras. Fazendo serviços como freelancer para novos autores ele percebeu que com a demanda existente na cidade seria viável além de revisar e editar os textos oferecer também o serviço de impressão do livro. Como tenho contato com vários escritores da cidade e da região, acabou me convidando para abrirmos a Madrepérola", relata Pauluk, que é escritor com três livros lançados.
Ele conta que o projeto da nova editora começou a ser formatado no final do ano passado. "Ficamos cinco meses envolvidos com processos burocráticos. Nosso maior desafio foi encontrar uma gráfica que aceitasse fazer uma parceria conosco. Como nosso interesse é fazer pequenas tiragens para o lançamento e refazer pedidos de impressão conforme a demanda, tivemos dificuldade de encontrar parceiras com empresas londrinenses. Após muita procura acabamos fechando negócio com uma empresa do Rio de Janeiro", revela.
Pauluk destaca que a editora pretende investir em diversas áreas. "Vamos realizar testes para sentir o mercado. Não temos interesse em atuar com uma grande atacado, mas sim com um varejo bastante selecionado. De inícios vamos investir em poesias, contos e romances. Já começamos a receber textos de vários escritores e percebemos que existe uma demanda para a publicação de teses acadêmicas. A gente está avaliando a possibilidade de abrir espaço para esse segmento", afirma.
Novo talento
Desde que anunciaram a criação da Madrepérola, em janeiro de 2015, os sócios Rodrigues e Pauluk receberam vários textos de escritores interessados em publicar suas obras. Mas optaram por apostar em um estreante. Com 100 páginas, o livro "Leve", com crônicas de Juba Heerveerson, dá o pontapé inicial às publicações da nova editora.
"O Juba tem um texto simples, mas que aborda temas ligados ao relacionamento humano com muita profundidade. O estilo dele me lembra Caio Fernando Abreu, que fala de afetos sem muito drama, com poesia na medida certa", define Pauluk.
Formado em Direito pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Juliano Heeveerson, popularmente conhecido como Juba, afirma que nunca havia pensado em escrever um livro. "Comecei a escrever há cerca de três anos, sobre coisas do cotidiano que me tocam, e publicava meus textos no Facebook. O Rafael Rodrigues, de quem sou amigo há algum tempo, me convidou para publicar um livro e de início recusei a proposta, mas depois ele acabou me convencendo", lembra.
Ligado à literatura desde a adolescência, ele afirma não ter um estilo literário definido. "Acho que faço textos contemporâneos e curtos, até porque hoje em dia ninguém mais dispõe de muito tempo para se dedicar à leitura. Mas acho difícil me enquadrar em um estilo pois acabo escrevendo sobre assuntos muito diversos, como viagens, gastronomia, relações humanas e muitos outros assuntos", argumenta.
Entre os escritores preferidos do estreante estão autores consagrados. "No momento estou lendo Dom Quixote, de Miguel de Cervantes. Também gosto muito de Gabriel García Márques, Machado de Assis e Clarice Lispector, entre outros", ressalta.
Na avaliação de Juba, a literatura pode ser usada como uma arma contra os desapontamentos do dia a dia. "Atualmente a gente acaba se desanimando ao ver as questões políticas do nosso País sendo tratadas da forma como estão. Acho que através da literatura a gente pode mostrar os fatos sob outros pontos de vista ou jogar luz sobre outros aspectos da vida que também merecem nossa atenção", enfatiza.
Serviço:
Lançamento do livro "Leve", de Juba Heerveerson
Quando Hoje, às 19 horas
Onde Bar Brasil (R. Hugo Cabral, 757)


