Londrina ganha nova companhia teatral
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terça-feira, 29 de julho de 2014
Nelson Sato<br>Reportagem Local 
Dois dos principais talentos musicais de Londrina foram escalados para o espetáculo de estreia da Companhia Sophia de Teatro, recém-fundada com a proposta de montar peças em formato híbrido, misturando interpretação com música e dança.
Gabriela Catai, uma das vocalistas da banda Cluster Sisters, e o cantor e compositor Tonho Costa fazem parte do elenco de "Celeste O Musical", cujos ensaios começaram há dois meses, envolvendo 25 pessoas entre atores, equipe técnica e produção.
O espetáculo está programado para estrear na segunda semana de novembro no Centro de Eventos do Catuaí Shopping Center. O texto, de autoria do jornalista e dramaturgo Francismar Lemes, narra a trajetória de uma cantora de jazz, dona de um temperamento obsessivo e que se deixa sucumbir pelo vício. Outros personagens conflituosos participam de um enredo que contempla loucura, abandono, traição e um crime.
"A peça foi inspirada no curta-metragem 'Celeste', produzido em 2011 em Londrina", revela o diretor Cristiano Feijó. O curta é protagonizado pela cantora Gisele Almeida e dirigido por Rodrigo Grota, com produção da Kinoarte em parceria com a Filmes do Leste. Na peça, Gabriela Catai encarna uma diva decadente, em sua primeira incursão como atriz.
O repertório musical inclui 13 canções, interpretadas pela personagem - entre elas constam "Fever" (Peggy Lee), "You Go To My Head" (Billie Holiday), "Felling Good" e "Plain Gold Ring" (Nina Simone), "Storm Weather" e "I Love Paris" (Ella Fitzgerald) e "Glory Box" (Portishead). Todos os temas receberam arranjos novos de André Siqueira, outro nome do primeiro time do cenário musical londrinense.
"Fazer algo que você nunca fez é sempre uma experiência legal", salienta Gabriela. "Estou aprendendo muito em meio a um bombardeio de informações. Estudei canto e sou formada em balé clássico, mas nunca estudei teatro. Tem sido um grande desafio, mesmo porque minha personagem é o núcleo da montagem. É ela que carrega a peça". O diretor também vê a experiência como um desafio.
"Tanto ela, como o Tonho Costa, tem o comportamento de cantor no palco. É interessante observar como eles se portam como atores, como lidam com o jogo de cena, com a relação com os outros atores, com a explosão e o recuo de emoções. É impressionante ver essa transformação e acompanhar a versatilidade dos dois", explica.
Além deles, o elenco conta com os atores Murilo de Andrade, Raíssa Bessa e Rebeca Carvalho e mais quatro bailarinos. A coreografia é de Thiago Spengler. Na produção de arte, figurino e cenografia estão Camila Melara, Higor Mejia e Luiz Rossi. No desenho de luz Dan Bueno, e na produção Samia Palma, Rafael Santana e Mayara Fernandes.
LNGUAGEM MISTA
Formado na Escola Municipal de Teatro/Funcart, Feijó conta que adquiriu ali o estímulo para produzir espetáculos de linguagem mista com a mescla de teatro, música e dança. "Nosso objetivo é tentar se descolar de modelos tradicionais, inclusive modificando o espaço em que a peça será apresentada. Para esse primeiro espetáculo, o palco terá formato em 270 graus permitindo maior interação com a plateia. Será parecido com a Concha Acústica, do Centro", diz.
Gabriela festeja a proposta. "Os musicais estão em alta no Brasil inteiro e especialmente no eixo Rio-SP. Londrina estava isolada dessa tendência. Acho essa iniciativa muito interessante. Espero que dê certo", sublinha. De acordo com o diretor, a Companhia Sophia de Teatro surge para suprir um vácuo na cidade.
"Os londrinenses amam teatro, o que pode ser constatado durante o Filo (Festival Internacional de Londrina), quando os ingressos se esgotam rapidamente. O problema é que não existe uma produção expressiva fora do Filo, já que os principais grupos que haviam por aqui migraram para o Rio de Janeiro (Cia. Armazém de Teatro) e São Paulo (Cemitério de Automóveis), que são as capitais teatrais do País. Queremos montar grandes espetáculos com atores locais, e sempre com elementos musicais", assinala. Ele acrescenta que pretende manter o elenco para um eventual - segundo espetáculo da companhia.


