Londrina ganha arquivo cultural
Dorico da SilvaA casa onde será
instalado o
arquivo cultural
está localizada
num terreno de
mil metros quadradosLONDRINA GANHA ARQUIVO CULTURAL
Além de arquivo virtual, espaço abrigará a produção cultural em seu sentido mais amplo
Érika Peregrino
Quantas pessoas já passaram em frente à casa da Avenida Higienópolis, 150, e ficaram admiradas com seu estilo arquitetônico europeu? Quantas crianças ficaram encantadas com os anõezinhos no jardim da casa? A partir do dia 31, este imóvel estará aberto à população. Através de uma iniciativa da Associação Cultural do Banestado e da Associação dos Artistas Plásticos de Londrina, o imóvel, pertencente à família Roehrig, foi alugado para ser transformado em um arquivo cultural.
Preservar imóveis que trazem parte da história de Londrina é uma idéia antiga do presidente do Banestado, Manuel Campinha Garcia Cid, Neco Garcia, segundo a coordenadora do arquivo cultural, a artista plástica Iara Strobel. O projeto foi formulado em maio último, mas tomar uma providência para preservar o patrimônio cultural da cidade já era uma idéia antiga do Neco Garcia, afirma Iara Strobel.
Dorico da SilvaIara Strobel: Idéia
é tornar acessível
para toda a população
os arquivos não só
dos museus de Londrina
e da Casa de CulturaA casa dos anõezinhos está construída em um terreno de mil metros quadrados bem no coração de Londrina, um motivo a mais para garantir sua preservação, antes que caísse nas garras da especulação. Um terreno deste tamanho bem no centro da cidade, imagine se não iriam querer construir um espigão aqui?, questiona Iara Strobel.
O imóvel não só foi preservado, como está recebendo algumas reparos para servir de sede a um arquivo cultural. Iara Strobel explica que a casa irá abrigar um arquivo no sentido mais amplo do conceito. Vamos trabalhar com a concepção ampla de arquivo, no sentido em que é um arquivo virtual, diz a artista plástica e não um arquivo cuja organização é pautada pela posse de documentos originais, complementa.
O arquivo cultural de Londrina será voltado para a produção artística e a longo prazo a idéia é de que esteja conectado em rede com os museus de História e de Artes de Londrina. A princípio o arquivo cultural já estará ligado à Internet.
Segundo Iara Strobel, a idéia é tornar acessível para toda a população os arquivos não só dos museus de História e de Artes de Londrina, como também o da Casa de Cultura e os particulares. A Casa de Cultura, por exemplo, tem um arquivo vasto, mas que não está organizado para ser disponibilizado à população, afirma a artista plástica. Nós iremos pedir licença para organizar os documentos destes arquivos e em contrapartida iremos disponibilizar os documentos, via informática, para a comunidade, explica.
O arquivo cultural irá fazer uma versão similar dos documentos destes arquivos para que a comunidade possa ter acesso a eles no arquivo cultural. Segundo Iara Strobel, o Museu de Artes e o de História de Londrina se mostraram muito receptivos ao arquivo cultural.
A artista plástica explica ainda que os documentos doados ao arquivo cultural poderão ser encaminhados para outros arquivos, dependendo do teor deles. Iremos trabalhar em conjunto, afirma. A comunidade encontrará no arquivo cultural, também, um espaço destinado à produção cultural em seu sentido mais amplo.
Nos ambientes espaçosos e confortáveis da casa construída durante a Segunda Guerra Mundial, a comunidade encontrará espaço para exposições, leitura, workshop, oficinas. Será um local que servirá de ponto de encontro e de referência cultural, atendendo a uma concepção contemporânea de arquivo, explica Iara Strobel.
A interação arquivo cultural/comunidade é fundamental no novo espaço. Se alguém precisa fazer uma mesa-redonda ou uma conferência, por exemplo, e não tem um lugar adequado, pode utilizar o espaço do arquivo cultural, afirma a artista plástica. Em contrapartida, estaremos registrando o evento e colhendo material para pesquisa, complementa.
As crianças também terão um espaço destinado a elas. Uma espécie de ludoteca, ou tudoteca, como denominou Iara Strobel, será implantada na garagem da casa, onde há um sótão que será revitalizado e disponibilizado para as fantasias das crianças. Oficinas e workshop voltados para o público infantil também estarão incluídos no cronograma do arquivo cultural.
Para sua nova função, o casarão está sendo submetido a algumas reparações, sem que sua arquitetura original sofra qualquer alteração. As únicas mudanças realizadas foram o rebaixamento do muro, a construção de um acesso e de uma rampa móvel na entrada lateral do casarão que fica na Rua Tupi.
Para colocar todos os seus projetos em andamento, o arquivo cultural pretende se valer das leis de incentivo municipal e federal. Na inauguração do espaço as pessoas já poderão apreciar uma exposição dos trabalhos dos artistas plásticos londrinenses que estão na Associação Cultural do Banestado. O primeiro workshop do espaço será sobre ecologia sonora, e ainda não tem data prevista.





