Uma jornada de cerca de 50 apresentações vai marcar o 23º Festival de Música de Londrina. Orquestras sinfônicas, big bands, quintetos de sopros e metais, grupos de percussão, instrumentistas de jazz, bambas do choro e solistas de piano, acordeon e viola são algumas das atrações escaladas para a programação artística do evento que começa no próximo domingo e termina no dia 19.
''A programação está tão ou mais intensa do que a do ano passado'' declarou o diretor-artístico do FML, Norton Morozowicz, durante entrevista coletiva realizada ontem pela manhã na Secretaria Municipal de Cultura. A exemplo das edições recentes, o elenco de artistas convidados reflete a diversidade sonora abraçada pela comissão organizadora abrangendo do erudito ao popular sem deixar de fora expressões contemporâneas de cunho social como o hip hop.
O Teatro Marista passa a ocupar espaço nobre na programação ao lado do Cine Teatro Ouro Verde, que estava em reformas em 2002. Assim, o público contará com duas séries de concertos, uma às 18h30 e outra às 20h30. O Marista será palco para a ''Londrina Mostra'', uma série de apresentações dedicada à produção local que vai reunir o Londrina Jazz Trio, a cantora Gemima, o Chorus, o Quinteto de Metais Paraná e a Banda Champagnat.
O local abrigará ainda a viola caipira de Roberto Corrêa, o quarteto curitibano de saxofone A Plenos Pulmões, um recital de música de câmara, a noite de choros e MPB e a noite de jazz com o saxofonista de New Orleans (EUA) Ray Moore. Este último será uma das principais atrações do Festival. Morozowics lembra que à exceção da primeira ''noite de jazz'', realizada em 1996 com a presença do pianista Chuck Marrone, todas as demais tiveram participação de músicos brasileiros.
''Desta vez, conseguimos trazer um músico genuíno, direto da fonte'' salientou. No show, o norte-americano será acompanhado pelo percussionista Pascoal Meireles, o pianista italiano Dario Galante e o contrabaixista Jorge Oscar. ''A vinda de Moore pode resultar numa ponte com o festival de jazz de New Orleans. Estamos tentando negociar um intercâmbio entre os dois eventos'' afirmou.
O diretor destacou também o Trio Quintessência, de São Paulo, chamariz da ''noite de choro e MPB'': ''Esse grupo tem uma formação sui-generis, com bandolim, violão e violoncelo. Eles tocam de tudo, são virtuoses e estão fazendo muito sucesso nos Estados Unidos e na Rússia''. A presença do legendário Zimbo Trio também foi mencionada com superlativos durante a entrevista. ''Eles são ícones da MPB. Atravessaram a bossa nova e estão atuando há mais de 40 anos'' sublinhou.
Não faltaram elogios também para o Quinteto (de sopros) Villa-Lobos, do Rio de Janeiro, cujos componentes ficarão na cidade na condição de professores do Festival. ''Tenho procurado trazer atrações que venham não apenas para se apresentar, mas que também possam ministrar cursos partilhando suas experiências com os músicos'' observou Morozowics. É o caso do respeitável Toninho Ferraguti, que comandará uma oficina de acordeon.
Seu show será realizado no bar Santo Ponto. ''Quando ele foi contactado, já tínhamos fechado a programação nos teatros. Para não deixá-lo de fora, cavamos um espaço alternativo. Ali, o público vai assistir a uma apresentação mais informal'' frizou o diretor do evento. Uma noite especial está prevista para o dia 11, no Cine Teatro Ouro Verde, onde o pianista Ney Fialkow receberá uma homenagem pelo aniversário de 60 anos.
Polonês radicado há 40 anos no Brasil, ele é mora em Porto Alegre e tem cadeira cativa no FML tendo participado de incontáveis edições. Segundo Morozowics, o músico é responsável pela formação da maioria dos violoncelistas do Paraná. Outro ponto alto será a montagem do espetáculo cênico-musical ''Gota D'Água'', de Chico Buarque, dando sequência à série iniciada em 2001 com ''Calabar'' e continuada no ano passado com ''Ópera do Malandro'', ambas do mesmo autor.
Pautada pela criação coletiva, a montagem é feita em duas semanas e levada ao palco. Desde que estreou no FML, o mix de música e teatro tem surpreendido organizadores, participantes e platéia. Morozowics empolga-se ao falar do projeto: ''No ano passado, o nível do ''Ópera de Malandro'' não ficou devendo nada a qualquer produção feita no país. Poderíamos até rodar o Brasil com o espetáculo''.
Além do namoro com o teatro, o Festival também flerta com a dança na edição desse ano. Um ''Balé Afro'' será apresentado no Calçadão, no dia 16, pelos integrantes do Nação Terra Vermelha, um grupo de maracatu de Recife (PE) que irá ministrar oficinas de percussão e dança no distrito de Lerroville. Completando a programação artística do evento figuram a Orquestra Sinfônica de Curitiba, a Orquestra Sinfônica da UEL, a Orquestra Marista de MPB, a Banda Pequi (big band de Goiânia), o Quinteto de Metais Itaratan (de Apucarana) e a Big Band de Londrina.
O bloco pedagógico, por sua vez, reúne 63 cursos entre oficinas, workshops, palestras e encontros. Até ontem, 1.200 alunos haviam feito as inscrições, número equivalente ao do ano passado. Orçado em R$ 575 mil, o Festival de Música quase sofreu uma ''mutilação'' em sua programação depois do governo estadual cortar R$ 150 mil dos R$ 250 mil de recursos prometidos até o começo de junho.
O ''rombo'' foi saneado graças segundo Morozowicz aos esforços do deputado estadual Natálio Stika (PT), que teria pleiteado a verba junto à Petrobrás. O restante do dinheiro foi disponibilizado pela Secretaria Municipal de Cultura, Ministério da Cultura, UEL e Ministério do Turismo (por intermediação do deputado federal Alex Canziani, do PTB). A abertura do evento será no domingo, no Anfiteatro do Zerão, às 17 horas, com um concerto da Orquestra Sinfônica da Universidade Estadual de Londrina.

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