Traduzir Londrina em mapas e imagens. Essa é a proposta de uma equipe de professores do Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Eles estão produzindo um atlas da área urbana da cidade com informações sobre relevo, vegetação, crescimento da malha urbana, dados econômicos e sociais e muitos outros. Tudo foi transmitido para imagens de satélite e dados infonuméricos. O trabalho tem a coordenação da professora Mirian Vizintim Fernandes Barros e a colaboração dos professores Omar Neto Fernandes Barros, Rosely Sampaio Archela, Lucia Helena Batista Gratão e Eloísa Torres.
Miriam explica que o atlas ficará disponível por meio de um site na internet e que serão confeccionados 100 CD-rooms para distribuir nas escolas públicas que não tem acesso à rede mundial de computadores. ''Existem várias informações sobre a cidade que não estão mapeadas'', observou a professora. Para ela, o trabalho vai facilitar a aprendizagem. ''Na imagem você vê as coisas que os números não mostram'', comparou.
Para a professora, muitos londrinenses não conhecem efetivamente a cidade onde vivem. ''Uma das grandes dificuldades é se localizar no espaço e entendê-lo'', exemplificou. Nas imagens que estarão disponíveis será possível perceber o crescimento da cidade, onde estão as áreas cobertas por vegetação, onde estão as zonas mais pobres, onde se concentram os analfabetos, ou seja, onde fica o quê na cidade. ''Os atlas trabalham só com números e esse vai permitir a transição de imagem de satélite com dados infonuméricos'', detalhou Miriam.
O professor Omar destacou que durante o trabalho foi possível verificar algumas contradições. ''Nem toda área rica da cidade tem serviço de saneamento bom, isso não é realidade. Ao contrário, há bairros pobres com toda infraestrutura'', citou. Outro aspecto interessante observado foi o crescimento de Londrina na região que liga os Cinco Conjuntos ao centro da cidade. ''Esse espaço era vazio e começou a ser preenchido. Se apostava que seria uma área valorizada mas apareceram outras, como a Gleba Palhano, que foram mais valorizadas'', descreveu Omar.
Na fotografia da cidade feita por satélite é possível estimar ondes estão os melhores terrenos da cidade. ''Através do tamanho do telhado você pode fazer a relação direta com o tamanho dos terrenos e verificar onde estão as pessoas de maior poder aquisitivo'', exemplicou a professora. Na imagem há também diferenças entre cores para as áreas verdes e cobertas por água, como o lago Igapó, sendo fácil localizá-las no município. Os grandes pontos da cidade também ficam visíveis. Dá para ver a rodoviária, o bosque do centro, o Parque Arthur Thomas e identificar onde fica a casa de cada um seguindo as direções de ruas e avenidas em cada região.
Sobre o contato que os alunos terão com o material, a professora frisa que será enriquecedor. ''É muito difícil ter acesso a mapas e às vezes eles estão desatualizados. É uma questão de cidadania você saber como é a sua cidade e onde se localiza cada coisa'', afirmou. Ela apontou ainda para a importância das interpretações que podem ser feitas pelos alunos com os mapas nas mãos, possibilitanto até que eles próprios fabriquem seus mapas.
O trabalho tem apoio da Fundação Araucária e deve terminar até dezembro, quando o site estará disponível para visitas. Vários alunos do mestrado e da graduação do departamento colaboraram na pesquisa, que também teve a participação dos professores Hervé Theres e Neli Aparecida de Mello, da Universidade Nacional de Brasília (UNB). Os professores afirmaram que já planejam desenvolver um atlas sobre a Região Metropolitana de Londrina para o próximo ano e estão buscando apoio financeiro para isso. Eles ainda não sabem qual será o endereço da página mas avisam que no site da UEL (www.uel.br) haverá um link para o atlas. O trabalho foi publicado em uma revista francesa e o resultado pode ser visto na página http://mappemonde.mgm.fr/num1/articles/art04106. O texto está em francês mas há algumas imagens que foram feitas para o atlas.

mockup