Londrina é escolhida para revival com a música
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de março de 2015
Marian Trigueiros<br> Reportagem Local 
Depois de mais de uma década sem entrar em estúdio, Carlos Maltz, ex-baterista da banda Engenheiros do Hawaii, escolheu Londrina para o reencontro com a música. Ele acaba de gravar um single inédito, que virá como brinde para quem comprar o novo livro dele, "O último rei do rock". A composição "Lanterna na Proa", de cinco minutos, tem a participação dos músicos londrinenses Osmani Júnior, na guitarra, e Diogo Burka, no contrabaixo. A parte técnica ficou por conta de Julio Anizelli e Caio Freitas do estúdio PlayRecPause. A pré-venda do livro, pela loja virtual da Editora Belas Artes, já começou; os livros serão enviados a partir do dia 6 de abril. Quem adquirir o exemplar, recebe o CD autografado com o single que, em breve, também estará disponível para download.
Em apenas um fim de semana, o baterista agora astrólogo e psicólogo da linha junguiana conheceu os músicos, alinhou a melodia e gravou. "Como tudo na minha vida, a vinda a Londrina aconteceu de maneira natural; nada foi intencional ou pensado com muita antecedência. Os motivos que me levam a tomar decisões não sou muito racionais, não fico estudando a astrologia para isso. Já tenho essa música há bastante tempo e, agora, deu certo de gravar. Um amigo (Victor El Escama) já tinha me falado desse estúdio e do pessoal daqui. Senti que era hora de gravar e a editora topou", relata o músico.
Os primeiros contatos começaram há dois meses e de lá para cá a correria para casar os horários e entrar em estúdio. "A música fluiu muito bem e gostei bastante do trabalho dos meninos; eles são muito cuidadosos. Vai ser um presente bacana aos fãs. Um trabalho raro, porque serão poucos exemplares", adianta.
Apesar de estar afastado da música há alguns anos, Maltz conta que não deixou de produzir, tanto que o single faz parte de uma coleção de várias composições que tem ainda não gravadas. "Pode ser que eu grave um disco; pode ser que não. Sei que tenho uma quantidade suficiente para um CD. Mas, agora, essa não é minha intenção. Estive e estou focado no livro nesses últimos anos. Eu digo isso agora, contudo, pode ser que daqui alguns dias tudo mude de novo. Como eu disse, nada em minha vida é muito racional", diz.
Por outro lado, a opção pela nova carreira, a de psicólogo, segundo ele, vem fluindo. Tanto que atende em consultório oito horas diariamente. "O dinheiro que ganhei com a banda eu torrei tudo. Este é meu trabalho agora, de onde ganho para sustentar minha família. Tem gente que nem sabe da minha carreira. Brasília é bom por isso: é uma cidade sem passado, uma terra de estrangeiros sem dono."
Sobre um retorno com a banda Engenheiros do Hawaii, ainda que comemorativo, já que este ano completa-se 30 anos do surgimento do grupo, ele descarta a possibilidade. "O que eu vivi na banda e na música foram anos de sucesso, com direito a discos de ouro. Não tenho vontade de voltar; acho que nunca mais vamos conseguir fazer algo melhor. Se for um encontro casual como no início, pode ser. Mas não vamos mexer com esses demônios da música, não", brinca. Se o retorno à música não deve acontecer, estar certo da decisão, no entanto, parece mexer um pouco com o baterista. "Isso está bem resolvido para você?", questiona a reportagem. "Sim, está bem resolvido. Quer dizer, sei lá. Bem resolvido, para mim, é morto."
Muito conhecido pelo seu trabalho na banda gaúcha Engenheiros do Hawaii, Maltz deixou o grupo em 1995. Tentou emplacar a banda "Irmandade Interplanetária" no ano seguinte, mas sem muito sucesso. Em meados de 2002 lançou o disco solo "Farinha do Mesmo Saco", que também não teve muita repercussão.
Na mesma época, já havia iniciado seus estudos em astrologia, mudando com a família para Brasília, onde começou a realizar os primeiros atendimentos. A graduação em Psicologia aconteceu em 2008 e, desde então, passou a atuar como psicólogo da linha junguiana. Concomitantemente, Maltz iniciou a carreira de escritor lançando o primeiro livro, "Abilolado Mundo Novo", em 2010.
"O Último Rei do Rock" é uma ficção que trata de um jovem que nasceu no mesmo dia e local da morte de John Lennon, um dos gênios dos Beatles. Por isso, a sina do protagonista, Juan LMK, é viver à sombra de um mito. O livro se passa no ano de 2020, quando Juan, até então integrante de uma banda decadente na cidade de Brasília, recebe um convite inesperado: tornar-se o garoto propaganda de um novo produto que vai mudar a história da humanidade, o primeiro implante nano-neural para a expansão da inteligência. O protagonista vê ali, portanto, a oportunidade de realizar o grande sonho que é tornar-se mais famoso que o próprio Lennon.


