Cerca de 10 mil pessoas da cidade saem por semana em busca de lugares para dançar. Elas fazem parte de um movimento espontâneo que gera integração social no embalo de ritmos bem variados
Os embalos do bolero, xote, tango, samba de gafieira, valsa, vanerão, bugio, salsa, mambo, samba e pagode sacodem mais de 10 mil pessoas semanalmente em Londrina. Um público disposto e fiel que passa pelas catracas das casas de shows da cidade. Essa amostragem realizada pela Folha2, nos principais estabelecimentos de Londrina, mostra o potencial do setor. O Club Albatroz recebe 3 mil pessoas por semana de faixas etárias diferentes.
Na Kawali, mais de 1.800 jovens se acotovelam na pista de dança, enquanto que na Estância Casa de Shows esse número chega a 2.600 pessoas/semana. Cidadãos dançantes anônimos que reforçam nos passos da informalidade a importância da dança como elemento de integração social e saúde. Além disso, a dança de salão é um entretenimento barato e se transformou numa ponte afetiva com as origens rurais do brasileiro-urbano.
Londrina dança no ritmo do bugio, que segundo Luiz Carlos Mumu, professor do Espaço Latino, pode ser considerado uma evolução do vanerão, com sotaque do Norte do Paraná. ‘‘O bugio atende as preferências dos maiores de 30 anos. Já o sertanejo e pagode agradam quem tem menos de 30 anos’’ constata Mumu. O público jovem de Londrina pode se preparar para a febre do forró que já elevou as temperaturas de outras cidades brasileiras.
Quem ainda não aprendeu os ritmos da moda, procura as academias e clubes da cidade – cerca de 10 – que ofertam diferentes estilos e horários. A professora de música Esmeralda de Barros Moreira há um ano se rendeu à disciplina da dança a dois e se inscreveu numa academia, dominando os passos do xote, samba, forró e bolero. Ultrapassando os limites da deficiência visual, Esmeralda resume como a dança mudou sua vida: ‘‘Melhorou minha auto-estima, ajudou a me desinibir e descontrair’’, resume a professora.
Ao som de ‘‘Ronda’’, de Paulo Vanzolini, o casal Bê Rezende Zankin e Severino Zanuto conversaram com a Folha 2. Foi num ambiente idêntico, há 4 anos, que se conheceram e se uniram. Exemplo frutífero da socialização impulsionada pela dança. ‘‘Quando não saio para dançar parece que fico doente. A dança traz saúde, disposição, alegria, energia e amizade’’, apregoa compassadamente a exímia dançarina, detentora de um primeiro lugar num concurso de valsa no Club Albatroz. A preferência do casal recai nos inesquecíveis boleros, sambas e xotes. Depois da rápida conversa, dama e cavalheiro seguem nos passos do bolero, gastando em média 300 calorias cada um, em apenas uma hora de dois pra lá e dois pra cá.
Os limites da dança de salão não se restringem aos clubes. De acordo com Luis Carlos Mumu, o gênero deve figurar como esporte olímpico em Atenas 2004, com regras que exigem extremo rigor técnico. Os japoneses (quem diria), australianos e americanos figuram entre os melhores na categoria. Existe um movimento no Brasil direcionado para a organização da dança de salão, ainda confinada a guetos, bailando sob olhares preconceituosos.
Em Londrina, Mumu pretende organizar em breve o Fórum Sul-Brasileiro de Dança de Salão. Outros centros também se movimentam no sentido de organização. Os mineiros criaram o Dansal (Associação de Dança de Salão), que visa promover e realizar eventos de natureza cultural, tal como especializações, encontros, palestras e congressos. Em Florianópolis, os pés-de-valsa tentam montar a ACADS (Associação Catarinense de Dança de Salão).

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