Londrina comemora oficialmente 80 anos no dia 10 de dezembro, mas o clima de comemoração já está no ar. Para homenagear a cidade, o Grupo Folha de Comunicação está lançando uma série de ações para marcar os avanços e resgatar os fatos mais importantes da história do município. Dentro do conceito de projeto multiplataforma e multimídia, todos os veículos do grupo – Folha de Londrina, portais Bonde e Folhaweb e jornal NossoDia – estão preparando materiais com conteúdo especial para marcar a data (ver box).
Como parte do projeto, na semana passada um grupo de alunos do quinto ano da Escola Municipal João XXIII, de Londrina, participou de uma visita monitorada ao Museu Histórico de Londrina e de um bate-papo sobre a trajetória da cidade com o jornalista Widson Schwartz. Schwartz está preparando para a Folha de Londrina oito cadernos especiais sobre o município - destacando em uma linha do tempo os principais eventos da cidade a cada década.
Em um cenário que resgata grande parte da memória de Londrina – na antiga Estação Ferroviária -, já no início da visita os alunos se divertiram com a oportunidade de conhecer os vagões de trem e imaginar como seria a vida na época em que as locomotivas predominavam como meio de transporte.
Na exposição permanente do museu, a cada passo uma série de informações interessantes que ajudavam a visualizar como seria a nossa cidade antigamente. Logo na entrada, as imagens da derrubada das matas serviram de reflexão sobre a ação do homem em nome do desenvolvimento.
A mostra de objetos indígenas fez um contraponto importante, lembrando que os índios das etnias guarani, caingangue e xetá já estavam por aqui antes da chegada dos pioneiros oficiais.
As réplicas da casa comercial antiga ("de secos & molhados") e da casa feita de palmito chamaram a atenção das crianças, assim como os animais empalhados. Instrumentos médicos, musicais e brinquedos antigos também mexeram com a imaginação dos estudantes, que de uma forma lúdica tiveram a chance de se transportar no tempo. O painel mecanizado sobre o processo de produção de café destacava a época em que Londrina chegou a ser a capital mundial do café, nosso "ouro verde".

Memória viva
Dono de uma memória e vitalidade admiráveis, o jornalista Widson Schwartz, de 74 anos, se reuniu com as crianças para falar das suas lembranças de Londrina no bate-papo realizado na sala de exposições temporárias, onde atualmente está montada a mostra "Álbum de Família".
Natural de Caçador (SC), ele chegou a Londrina em 1949, aos 10 anos de idade, acompanhado de seus pais. "Chegamos à noite, de trem, e no dia seguinte lembro que fiquei impressionado com a quantidade de pessoas, automóveis, carroças e charretes que já existia em uma cidade tão jovem", recordou.
Até hoje admirado com o rápido crescimento da cidade, ele destacou o tema para as crianças: "Nenhuma cidade do Brasil se modernizou tanto em tão pouco tempo, a não ser algumas capitais, que contam com muitos investimentos públicos", avaliou.
Com mais de 500 mil habitantes atualmente, ele lembrou que desde o início da sua fundação Londrina agregou pessoas de 33 nacionalidades. "A cidade é uma comunidade multicultural e talvez isso seja um dos seus diferenciais", pontuou, lembrando que a primeira família a se instalar oficialmente em Londrina (no distrito de Heimtal), em 1929, era de origem alemã. Para ilustrar o rápido crescimento de Londrina, ele fez uma comparação com Curitiba, nossa Capital, que tem 321 anos e 1,8 milhão de habitantes.
Bem-humorado, ele lembrou da grande quantidade de barro que havia nas ruas da cidade e que todo cuidado era pouco para não escorregar: "Muita gente andava segurando os balaústres pelas ruas." Ao ser questionado pelas crianças se a vida antigamente era melhor, ele considerou a vida atual mais confortável, embora sinta saudades de algumas coisas boas do passado.
Sobre as "diversões de antigamente", ele citou os carrinhos de madeira, as bonecas de pano e do quanto o cinema predominava com opção de lazer entre os jovens. "Em 1940, Londrina já tinha três cinemas, inclusive o primeiro da América Latina a exibir filmes em 70 milímetros, e era uma grande diversão ir ao cinema, hábito que mudou muito após a televisão", recordou.
Otimista, na sua opinião Londrina definitivamente tem vocação para a modernidade e o crescimento: "Londrina enfrentou uma série de problemas administrativos nos últimos anos, mas ainda é um lugar de futuro para todos vocês, com muitas oportunidades. Tudo na vida é feito de ciclos e a cidade vai 'estar nos trilhos' novamente. Ainda é uma experiência surpreendente viver aqui e vocês vão sentir isso também daqui a alguns anos", concluiu.
A professora Cláudia Fabiane Britto aprovou a inciativa, e afirmou que está ansiosa para conferir os cadernos especiais relativos ao desenvolvimento da cidade a cada década. "Esse material é diferente do que estamos acostumadas a ter acesso e com certeza servirá de fonte de pesquisa para aprofundarmos o resgate sobre a história de Londrina", salientou. "A vivência do jornalista Widson Schwartz é muito rica e é especial termos a oportunidade de ouvir alguém que viveu naquela época", observou. No final, os alunos ainda participaram de um lanche e receberam brindes.

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