Lojas de discos em extinção
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quinta-feira, 12 de junho de 2003
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
As lojas de discos agonizam. Em todo o país, os tradicionais pontos de venda de CDs estão fechando suas portas, vitimados pela crise sem precedentes que assola o mercado fonográfico mundial. Respirando por aparelhos, o segmento tenta se manter acuado pela pirataria, megastores, magazines, hipermercados, sebos populares e MP3.
''Já tivemos 22 lojas no Paraná, cinco delas apenas em Londrina. Hoje temos cinco em todo o Estado. A comercialização exclusiva de CDs tornou-se um negócio inviável. Ninguém mais se arrisca a entrar no ramo. Há poucos anos, o Catuaí Shopping (o maior da região) possuía quatro lojas. Hoje não tem nenhuma'' diz Aristides dos Santos Filho, 41 anos, sócio-proprietário da rede Capital Discos, com matriz em Londrina.
Segundo ele, o setor foi praticamente extinto em cidades de menor porte, onde os poucos donos de lojas resistem com a prática de adquirir um ou outro exemplar avulso de CD para ''copiá-lo'' aos clientes. O empresário aponta a proliferação de cópias piratas como a principal responsável pela decadência da atividade.
A opinião tem respaldo nas estatísticas. Segundo estimativas da Associação Brasileira de Produtores de Discos (ABPD), os CDs ilegais dominam atualmente 50% do mercado no país. Ou seja, de cada duas unidades comercializadas no varejo, uma é clandestina. Para os consumidores, os preços fazem a diferença. Se um CD oficial de Sandy & Junior custa de R$ 25,00 a R$ 30,00 numa loja, o mesmo título sai por R$ 5,00 num camelô, que ainda costuma oferecer descontos para o freguês de acordo com a quantidade de CDs que se compre.
A concorrência desleal tem levado os executivos das gravadoras a projetar um quadro preocupante, parecido com o que ocorreu no mercado de fitas cassete, hoje 100% dominado por produtos ilícitos. ''O pior é que, em Londrina, a pirataria foi legitimada pela Prefeitura Municipal. No Shopping Popular, pelo menos metade dos boxes comercializa CDs falsificados e ninguém faz nada'' critica ele.
Uma saída para a crise, segundo Aristides, seria as gravadoras baixarem os preços dos CDs. ''A margem de lucro seria menor, mas acho que venderia mais'' diz. A hipótese, contudo, sempre foi rejeitada pelas grandes companhias fonográficas sob o argumento de que nos custos de um disco vêm embutidas as despesas com produção, masterização e divulgação.
A fórmula caseira encontrada pelo empresário para não sucumbir à falência, foi diversificar os produtos das duas lojas locais sobreviventes da rede. Uma delas, localizada no Royal Plaza Shopping, divide as prateleiras de CDs com araras de roupas. ''Tivemos que nos adaptar para atrair os consumidores'' consola-se.
Outro recurso para puxar a clientela foi investir no catálogo de pequenas gravadoras nacionais como Movie Play, Cid, Music Tape, Acit, Ouver, Zan e USA Discos. Artistas elencados nesses selos caso de Oswaldo Montenegro, Os Serranos e Jacó e Jacozinho não vendem milhões, mas mantêm um público fiel. ''São títulos que você não encontra nas megastores e lojas de departamento. Eles têm um giro menor, mas dão um faturamento regular'' informa.
Além da Capital Discos, Londrina conta com as lojas Garageland CD's, Londrisson e Jardim Elétrico. De menor porte, nenhuma delas prioriza lançamentos em suas prateleiras, operando mais com encomendas e comercialização de discos usados. A primeira, especializada em rock, rendeu-se à diversificação de artigos passando a trabalhar desde o mês passado com bolsas fashion estilizadas.
A Londrisson mudou sua vitrine há cinco anos, quando dividiu o estoque de CDs e LPs com instrumentos musicais e acessórios para aparelhos de som. Já a Jardim Elétrico, que privilegia raridades de rock e MPB, optou por explorar o filão dos livros de música. Seu chamariz, porém, sempre foi o acervo de preciosidades em vinil. O proprietário, Nilson Fakir, afirma que a loja não foi afetada pela crise.
''Ela sobrevive justamente por ser dirigida para um público-alvo'' explica. ''Quem vem aqui é colecionador, não é o cara que procura o último lançamento. É um tipo de consumidor que não compra CD pirata e nem têm interesse em arquivar música em MP3. Ele quer ter a peça, quer ter o disco na mão''. Paralelamente ao mercado segmentado, o colapso do setor exibe números surpreendentes.
A última pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Produtores de Disco (ABPD) revelou que 5 lojas, em média, estavam fechando as portas diariamente no país.


