Lojas comemoram o dia do vinil
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sexta-feira, 19 de abril de 2013
Renan Dissenha Fagundes<br>Agência Estado 
São Paulo - Não dá mais para falar que os discos de vinil estão voltando: eles já voltaram. E hoje, a venda de LPs é celebrada em todo o mundo no Record Store Day, criado em 2007 nos EUA para unir músicos, gravadoras e lojas de discos.
Mas a data não existe ainda nos mesmos moldes por aqui. "Lá fora, as gravadoras se juntam e organizam uma série de lançamentos", afirma Marcio Custódio, proprietário da loja Locomotiva Discos, em São Paulo. "Aqui, é movimentado pelas lojas de discos independentes."
Custódio aproveita a data para abrir uma segunda unidade da Locomotiva, na mesma Galeria Nova Barão em que fica a primeira. "É uma extensão, para poder expor todo o material com mais conforto", diz. Nos dois anos desde que abriu a loja, Custódio viu o interesse por vinil crescer. "Os jovens passaram a comprar, a se interessar por esse ritual, e os mais velhos voltaram", afirma.
Você pode olhar para vários lados e ver o crescimento do interesse por discos. A Polysom, única fábrica de LPs da América Latina, dobrou a produção entre 2011 e 2012. No mesmo período, a venda de bolachões na Livraria Cultura aumentou 200%. E no Mercado Livre, 81%.
"Mais do que um mercado estabelecido, o que se vê hoje é um mercado em crescimento contínuo", afirma João Augusto, proprietário da gravadora Deck e consultor da Polysom.
Não que o vinil tenha deixado de ser um fetiche, embora o público esteja aumentando. "Continua sendo um mercado de nicho, mas um nicho que ainda tem espaço para expandir", afirma João Paulo Bueno, analista de negócios na categoria CDs e LPs da Livraria Cultura.
Para Bueno, a queda do preço é um dos principais fatores para esse aumento. "Antes qualquer vinil custava mais de R$ 180, hoje chega por R$ 80, R$ 90."
A Livraria Cultura, das grandes redes do País, é a que mais abraçou o vinil. Mas no começo, não foi pensado. "O primeiro vinil chegou por engano, no lugar de um CD", diz Bueno. "A gente colocou para vender, e de repente começou a ter demanda."
Hoje, há eventos em todas as 15 lojas da Cultura no Brasil para comemorar o Record Store Day. "Teve uma venda muito grande no ano passado", afirma Bueno.
Resta esperar que a data cresça no Brasil, junto com as vendas. "Eu gostaria de que no ano que vem as gravadoras organizassem lançamentos especiais de música brasileira para vender nesse dia", diz Custódio. "Seria legal ter uma união entre as gravadoras e as lojas de disco, uma linguagem mais consolidada."


