A última vez em que vi as torres gêmeas, há dois anos, eu estava no táxi a caminho de Manhattan. Pela janela, ao longe, elas rasgavam o skyline da cidade com seus 110 andares, sombreando os outros prédios ao redor. ‘‘Olha lá o World Trade Center’’, indicou o motorista. Naquela época, turistas e mais turistas não resistiam a pegar o elevador expresso que levava 58 segundos para alcançar o último pavimento do segundo prédio e ver Nova York do topo do mundo. O programa era tão obrigatório quanto ir ao Central Park e ao Metropolitan Museum.
Hoje, o local do WTC (ou Marco Zero) continua a ser atração turística. Um tanto mórbida, claro. Para a minha surpresa, descobri que o passeio está incluído até mesmo em pacotes turísticos vendidos em outros Estados americanos. O Tour Patriótico.
Descendo na estação de metrô Fulton Street, já na boca da plataforma de observação, vê-se a multidão de visitantes de todas as partes do mundo. ‘‘Primeiro é preciso conseguir o ingresso’’, disse a policial. Distribuído gratuitamente em ordem cronológica, por intervalos de meia hora, foi a forma encontrada para controlar o acesso. Em torno de 6 mil entradas são emitidas diariamente.
O quiosque ‘‘WTC free’’ fica no centro da South Street Seaport, Píer 16, junto da comercialização dos passeios de barco da empresa Circle Line Cruises. Basta seguir seis quadras pela Fulton, fechada para o tráfego de veículos e lotada de vendedores ambulantes oferecendo de livros do WTC a fotografias e gravatas com a bandeira dos EUA. Um ‘‘biketáxi’’ oferece carona por US$ 10.
Cheguei ao guichê num dia de semana, ao meio-dia, e consegui a entrada para dali a meia hora. Foi mais fácil do que imaginei.
De volta à Fulton, já perto do sítio, a sensação é estar num cemitério. Do lado da entrada à plataforma, um memorial toma um quarteirão, bem onde está a Saint Paul’s Church: fotografias de desaparecidos, flores, camisetas e capacetes daqueles que morreram no local, velas, bandeiras e um monte de mensagens escritas em todas as línguas, de todas as cores.
‘‘Eu acho que é importante ver com os nossos próprios olhos’’, afirmou o turista italiano Dario Gi DiGioia. Hora de entrar. Um oficial nova-iorquino tomou o meu ingresso e me conduziu a uma rampa com mais 300 pessoas. As homenagens continuam: ‘‘Osama você perdeu’’, ‘‘Deus abençoe a América’’, ‘‘Eu ainda amo Nova York’’.
Finalmente, o Marco Zero. ‘‘Três minutos’’, avisou o policial. Parece um sítio de escavações. Um grande buraco com vários guindastes, os prédios do Financial Center por trás, outros vários afetados ainda cobertos de papelão.
A ‘‘cárie’’ sendo tratada. A expressão das pessoas emociona mais que tudo. Um faz o sinal da cruz, outro não contém o choro. Todos querem tirar a fotografia do que restou. ‘‘Eu tinha de ver para não esquecer’’, disse a visitante Naiko Nakamura, do Havaí. Olhando para o nada, percebi que pela primeira vez naquele local o Sol reina absoluto.

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