Lobão, só ao violão
O cantor e compositor carioca se apresenta hoje em Londrina, como atração musical do Filo
ReproduçãoCompositor aproveita o formato acústico para ressaltar melodias como foram pensadas no processo de criaçãoNelson Sato
Um violão, uma voz rasgada, uma coleção de baladas aflitas. O show de hoje à noite, um dos mais aguardados do Filo, traz o cantor e compositor Lobão intimista como nunca se viu em Londrina.
Diferente de suas apresentações na década passada na cidade, ele sobe ao palco sozinho ao violão prometendo mostrar composições inéditas ao lado dos sucessos extraídos de seus dez álbuns. O show começa às 23 horas. ‘‘Tenho quatro músicas novas prontas, engatilhadas para gravar. Talvez eu apresente uma ou outra nesse show’’ - avisa ele, por telefone.
As incursões de Lobão pelo formato ‘‘acústico’’ datam de pelo menos quatro anos, quando passou a atacar os estereótipos do rock e se aproximar com mais vigor da MPB. Na época lançou o CD ‘‘Nostalgia da Modernidade’’, que trazia o músico interpretando sambas e maracatus entre as faixas.
Na atual temporada, porém, apresentar-se sem acompanhamento de banda tem sido menos uma opção do que necessidade. É que Lobão rescindiu contrato com a gravadora Universal, o que o deixou sem infra-estrutura para montar um show mais elaborado do CD Noite, lançado no ano passado.
‘‘Mas tenho gostado muito da experiência’’ - salienta ele. ‘‘Com a linguagem do violão interferindo no repertório antigo, esses shows têm sido um excelente laboratório para testar uma nova vestimenta para as canções.’’
Sempre provocativo, Lobão diz que se sente ‘‘um exilado’’ dentro da indústria fonográfica. ‘‘Você tem que fazer papinha, tatibitati, limitar sua liberdade de criação para poder gravar um disco. Sinto-me tolhido. As gravadoras não aceitam minhas posições políticas.’’
O compositor lamenta sua condição, justamente agora em que garante estar numa fase de intensa produtividade para concluir a trilogia iniciada com Nostalgia da Modernidade e continuada em Noite. ‘‘A gravação de um novo álbum, fecharia meu projeto estético através de uma varredura.’’
Lobão critica o rock no que o gênero tem de clichê. ‘‘Não há nada mais fascistóide do que uma banda de heavy metal’’ - proclama ele. ‘‘As bandas ficam repetindo os mesmos acordes e comportamentos há mais de 30 anos quando o verdadeiro espírito do rock é a anticristalização.’’
Lobão detesta também ser enquadrado como integrante da chamada geração-80. ‘‘Fui o maior crítico dessa geração’’ - diz. ‘‘Meus amigos morreram, poetas como Júlio Barroso, Cazuza e Renato Russo morreram. Não tenho afinidades com os que ficaram. Claro que houve momentos interessantes aí, mas é difícil aceitar os nostálgicos que ficam lembrando dos 80 nos anos 90.’’
Comparando o que percebe hoje, ele acha que a cena melhorou. Da nova safra, ele elogia os músicos Otto e Zeca Baleiro e as bandas Pato Fu, Raimundos, Jota Quest e mundo livre s/a. Ressalva, porém, que muitos dos novos artistas se apegam a um nacionalismo vulgar.
Falastrão em entrevistas, Lobão vai se incumbir de um papel oposto no show de hoje à noite. Contido, vai apresentar as músicas do jeito que as compôs originalmente, ou seja, sozinho e em silêncio ao violão. Um privilégio para o público que, com as condições adequadas, pode virar o melhor show do Filo.
Show com Lobão. Hoje a partir de 23 horas, no Cabaré do Filo (Rua Taubaté, 170, antigo prédio da Londrimalhas). Ingressos individuais a R$ 10,00. Estudantes, idosos, funcionários da UEL e usuários da Tim Telepar que apresentarem uma fatura telefônica terão desconto de 50%. Posto de venda, na Casa de Cultura (Praça 1º de Maio, 118). O Cabaré abre suas portas às 22 horas.

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