Lobão fala do novo disco e do momento que vive na carreira
Esse disco foi feito no mínimo pra confundir e no máximo para mostrar um anseio estético. Como tinha pouco dinheiro para fazê-lo acabei optando por essa estética porque com sampler é possível, sim, obter sons com muita qualidade. Atrelado a isso, queria um disco homegêneo e pesado e tinha que dar um revestimento áspero e criativo que acabou resultando numa antítese do disco anterior
Sou um cara que elabora conceitos. Fiquei exilado e transformei o exílio e o desamparo em algo de bom. As pessoas perguntavam para mim no meio da rua: você parou? Fico enlouquecido quando me perguntam se eu parei, se deixei tudo porque sou um cara produtivo e não é de minha livre e espontânea vontade não mostrar meu trabalho
Pensei que com o nome que tinha fosse cooptado por uma gravadora mas me enganei
Atualmente sou um artista obscuro e não posso falar: vou fazer um grande show de lançamento. Primeiro preciso de uma aprovação mínima para refazer meu público. É que fizeram uma grande confusão com minha imagem, com o binário o louco e o careta e isso me sucateou
Posso ser excêntrico mas sou lúcido
Não sou gratuito. Sou um cara muito a fim de aplaudir e só vou aplaudir quando houver motivo. Meu mundo não é redondido como diz a Xuxa
Aquele (Nostalgia da Modernidade, 95) é um disco de esquerda e esse de direita. Esse disco é a minha linguageum, o lado agridoce da minha expressão
Esse disco teve uma primeira versão que ficou uma porcaria. O produtor, eu não vou falar o nome, na época sentou a bunda no estúdio, tocou guitarra e disse: deixa comigo. Ficou uma porcaria. Ele pensou que eu tinha que fazer outro Vida Bandida que tem um revestimento cafona, parece feito para anúncio de shampoo
Essa segunda versão é a que mais próxima ficou do que eu imaginava. Pra falar bem a verdade, a sonoridade de Noite tem qualidade internacional





