Lobão desafia as gravadoras
Alessandra Campos
De Londrina
Especial para a Folha2
Lobão está de volta e chegou, como ele próprio diz, para dar um chute nos colhões da indústria fonográfica. De cabelos bem curtos, mais magro, em pleno vigor físico aos 42 anos e com a língua mais afiada do que nunca, José Luís Woendenbag rasga o rótulo de roqueiro brasileiro, que o acompanha há quase 20 anos, e declara guerra às gravadoras com o lançamento de um CD de produção independente e numa formatação inédita no País. O disco será numerado e vendido em bancas de jornais. Em entrevista à Folha, na semana passada, Lobão falou sobre seu novo trabalho, a mediocridade do rock nacional, atirou pedras em cantores brasileiros e revelou estar ansioso com a inauguração de seu site, em fase final de construção na Internet, onde promete botar a boca no trombone, apimentar a discussão sobre pirataria e denunciar jabás e todas as falcatruas que envolvem o comércio de discos.
O novo CD ainda não saiu - o lançamento está previsto para 25 de novembro, mesmo dia em que será inaugurada sua página virtual - mas já causa muita polêmica e deixa os donos de gravadoras com a pulga atrás da orelha. Motivo para isso eles têm de sobra. Lobão simplesmente renunciou às gravadoras oficiais e decidiu criar um selo próprio. Por isso, o CD A Vida É Doce será lançado pela Universo Paralelo Records. Nesta gravadora sou eu quem mando. Eu sou o presidente, brinca.
Mais que presidente de gravadora, Lobão quer ser revolucionário. E para conseguir isso aposta numa grande investida, a de popularizar a música brasileira. Lobão criou coragem e fundou o que ele chama de movimento dos sem volta. O seu novo disco não será vendido em lojas, somente em bancas de jornais ao preço de R$ 14,90. O álbum, contendo disco e revista com textos e fotos sobre o processo de gravação, vai se chamar Lobão Manifesto. O mais importante é que pela primeira vez um disco vai sair com numeração, o que deverá ajudar a impedir a pirataria. Vai ser um soco no fígado da indústria fonográfica, dispara.
Se o mercado de discos vai realmente sentir o golpe de Lobão, ele só vai saber depois que A Vida É Doce estiver nas bancas. Enquanto isso não acontece, o cantor aproveita para distribuir alfinetadas. E não poupa nem os colegas que fazem propaganda em rádio e tevê contra a pirataria. Ao invés de Herbert Vianna e Milton Nascimento, entre outros, ficarem pedindo para as pessoas não comprarem CDs piratas, eles deveriam fazer uma campanha contra o preço cobrado por um disco. É absurdo o cara pagar R$ 30,00 por um CD que ele curte. A solução pra muita gente acaba sendo comprar um pirata que é muito mais barato, argumenta. Lobão acusa ainda as gravadoras de serem as principais responsáveis pela falsificação. A pirataria paraguaia é apenas um sintoma e ao menos serve para divulgar o trabalho da gente. A indústria fonográfica nacional é que é uma vergonha, desabafa (leia texto nesta página).
Lobão quer instigar as pessoas a conhecer essa indústria da vergonha. Para isso, ele coloca no ar o site político Lobão Manifesto - mesmo nome do seu novo trabalho. Vamos denunciar as falcatruas e os jabás das gravadoras, afirma. No dia 25, durante o lançamento do CD A Vida É Doce, haverá uma transmissão via on-line com a presença de Zeca Baleiro e Tom Zé, além de outros artistas. Nesse dia discutiremos questões políticas, jabás, direitos autorais, pirataria e roubalheira. Queremos também contar com a participação do pessoal das gravadoras para se defender das graves denúncias que serão feitas, avisa.
No melhor estilo Bruxa de Blair, Lobão cria suspende e aterroriza os protagonistas dessa história, sem nenhum propósito ambicioso. Eu não sei se esse projeto vai dar certo e se vou ser boicotado. Só sei que já me considero vitorioso por ter tido coragem de lançá-lo. Declarei guerra aos cachorros ferozes. Mas, eles estão abaixo dos lobos e eu não tô nem aí, se diverte.Músico cria selo próprio, quer vender seu novo disco em bancas e prepara um manisfesto contra a indústria fonográfica
Paulo do AmaralLobão vai lançar o CD A Vida É Doce pelo selo Universo Paralelo Records, que ele criou: Nesta gravadora sou quem mando





