Lloyd Bridges imita Brando em Mafia
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sexta-feira, 20 de novembro de 1998
Thales de Menezes Agência Folha 
Máfia marca a volta do diretor Jim Abrahams ao gênero que criou: a comédia alucinada de uma piada a cada 30 segundos, numa sátira que lembra a revista Mad. Imitado constantemente nas últimas duas décadas, Abrahams ainda é superior à nova geração.
Na verdade, o diretor divide os méritos de ter revolucionado a comédia cinematográfica com os irmãos Jerry e David Zucker. Os três escreveram e dirigiram em 1980 o sucesso mundial Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu!, um pandemônio na tela. Eram tantas as piadas (muitas delas simultâneas) que o público pagava para ver o filme duas ou três vezes, descobrindo novos motivos para rir a cada sessão.
E, de volta a seu estilo, ele ainda é o maioral. Há cenas de humor escatológico e grosseiro, dando sinais de que Abrahams sentiu a ameaça de comédias vulgares como Debi & Lóide e Quem Vai Ficar com Mary?. Deixando vômitos e flatulência de lado, o público vai rir mesmo da metralhadora giratória do diretor. O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola, é o alvo mais visado, mas outros filmes caem vítimas do deboche. Dos filmes da série de Coppola, Abrahams emprestou sequências inteiras e, principalmente, os flashbacks do segundo episódio, que mostravam a infância de Don Corleone na Sicília. Aqui, o chefão interpretado por Lloyd Bridges (impagável) veio da cidade de Salmonella, a capital mundial da maionese quente.
Os habitantes do lugar falam uma mistura de italiano e inglês que já é suficiente para matar de rir os espectadores que dominem esses idiomas. Num desses flashbacks está a melhor piada do filme, usando a sequência de Forrest Gump na qual o personagem de Tom Hanks corre e se liberta do aparelho ortopédico.
Martin Scorsese contribui emprestando cenas e personagens de dois filmes, Os Bons Companheiros e Cassino. Spielberg entra na dança, com a sequência inicial de Tubarão reproduzida numa piscina, em contexto sexual. Com uma piada atrás da outra, Máfia mostra que Jim Abrahams não perdeu o pique.


