‘‘Máfia’’ marca a volta do diretor Jim Abrahams ao gênero que criou: a comédia alucinada de uma piada a cada 30 segundos, numa sátira que lembra a revista ‘‘Mad’’. Imitado constantemente nas últimas duas décadas, Abrahams ainda é superior à nova geração.
Na verdade, o diretor divide os méritos de ter revolucionado a comédia cinematográfica com os irmãos Jerry e David Zucker. Os três escreveram e dirigiram em 1980 o sucesso mundial ‘‘Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu!’, um pandemônio na tela. Eram tantas as piadas (muitas delas simultâneas) que o público pagava para ver o filme duas ou três vezes, descobrindo novos motivos para rir a cada sessão.
E, de volta a seu estilo, ele ainda é o maioral. Há cenas de humor escatológico e grosseiro, dando sinais de que Abrahams sentiu a ameaça de comédias vulgares como ‘‘Debi & Lóide’’ e ‘‘Quem Vai Ficar com Mary?’. Deixando vômitos e flatulência de lado, o público vai rir mesmo da metralhadora giratória do diretor. ‘‘O Poderoso Chefão’’, de Francis Ford Coppola, é o alvo mais visado, mas outros filmes caem vítimas do deboche. Dos filmes da série de Coppola, Abrahams emprestou sequências inteiras e, principalmente, os flashbacks do segundo episódio, que mostravam a infância de Don Corleone na Sicília. Aqui, o chefão interpretado por Lloyd Bridges (impagável) veio da cidade de Salmonella, ‘‘a capital mundial da maionese quente’’.
Os habitantes do lugar falam uma mistura de italiano e inglês que já é suficiente para matar de rir os espectadores que dominem esses idiomas. Num desses flashbacks está a melhor piada do filme, usando a sequência de ‘‘Forrest Gump’’ na qual o personagem de Tom Hanks corre e se liberta do aparelho ortopédico.
Martin Scorsese contribui emprestando cenas e personagens de dois filmes, ‘‘Os Bons Companheiros’’ e ‘‘Cassino’’. Spielberg entra na dança, com a sequência inicial de ‘‘Tubarão’’ reproduzida numa piscina, em contexto sexual. Com uma piada atrás da outra, ‘‘Máfia’’ mostra que Jim Abrahams não perdeu o pique.

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