Lixo ainda é problema na ilha
A comida servida é farta e saborosa. Uma arraia-manta, ou jamanta como se chama por lá, calculada entre 600 e 700 quilos, capturada pela rede de um pescador, teve sua carne dividida pela comunidade inteira. A quantidade de camarão que se pesca, então, é um absurdo! São cerca de 70 barcos que saem todas as manhãs e voltam ao final do dia com cerca de 100 quilos cada do crustáceo. Ou seja 7 toneladas/dia, 210 toneladas/mês. Segundo informações, a maior parte segue para Paranaguá e Cananéia e lá é vendido, entre outros, para uma empresa que fabrica salgadinhos. O paradoxo se evidencia quando nos deparamos com uma embalagem dessas jogada no meio ambiente.
Problemas sérios que a comunidade tem de enfrentar já são os cachorros soltos que ameaçam as pessoas e transmitem doenças em suas fezes, e o lixo. O lixo orgânico, como cascas e cabeças de camarão é vertido sem nenhuma cerimônia na beira do canal, saturando a capacidade de a natureza degradar a tempo os dejetos. E o lixo inorgânico, principalmente o plástico, é jogado deliberadamente em qualquer lugar ou queimado junto a papéis e restos de comida.
Outra questão é o controle do fluxo turístico, que deve estar de acordo com a estrutura de serviços prestados pela comunidade e o impacto ambiental causado pela quantidade de pessoas que chegam à vila. Dois exemplos podem ser comparados na região. Um é na Ilha do Mel, onde a especulação turística e imobiliária o chamado progresso transformou caiçaras em subempregados e a ilha em terrenos privados, sem o devido respeito à natureza. Outro exemplo é a Ilha do Cardoso, onde a cultura caiçara preserva a natureza e continua sendo preservada.





