Os títulos voltados ao público adulto dividem espaço com outros que Maria Cristina Von Atzingen escreveu especialmente para as crianças. Em outubro chegou às livrarias a série ‘‘Todo Brasil’’, da Callis Editora. Formada por 24 livrinhos, reunidos em seis caixas - cada qual com quatro títulos - é uma viagem empreendida pelo País, através das capitais. Curitiba abre a coleção.
‘‘Gilberto de Curitiba’’ tem 27 páginas e conta as peripécias de um piá que visita os lugares turísticos da cidade. Para quem não sabe, a escritora explica: ‘‘piᒒ quer dizer ‘‘menino’’. A caixinha é completada com ‘‘Graça de Salvador’’, ‘‘Marina do Rio de Janeiro’’, ‘‘Mário e Antônio de São Paulo’’. Também dentro desse formato tem a coleção ‘‘Todo Mundo’’, que está concorrendo a um prêmio da Unesco. O tema: a tolerância que deve existir entre os povos.
Também para março do próximo ano está programado o lançamento de um livro infantil abordando o racismo. Outro volume, em fase de execução, traz à discussão, o perigo das drogas. ‘‘A maioria das pessoas, dos pais, professores e até editoras acham que se precisa falar de drogas apenas para o adolescente. Adolescente já era’’, critica a escritora.
Muitas vezes este assunto ficou ‘‘tarde demais’’ para um garoto de 13, 14 anos. De acordo com estudos recentes, o combate às drogas tem que ser iniciado junto às crianças, a partir dos 7 anos de idade, pois ela já está preparada para ouvir. ‘‘Você tem que começar a introduzir o tema, pelo menos falando de cigarro e álcool, e isso pode ser feito de maneira lúdica. Brincando se aprende’’, afirma Cristina.
A realidade está nas ruas, nos noticiários de TV e até nas novelas. Dentro desse espírito de ver o mundo pelo seu lado agressivo, a autora acabou de escrever um volume onde explica por que existe gente pobre. E o que pode ser feito no sentido de abrir oportunidades a essa faixa carente, sem cair na pieguice ou caridade, afirma.
‘‘Nas entrevistas que dou nas escolas, sinto que a pobreza e a violência são as maiores preocupações das crianças, na faixa dos 7, 8 anos de idade’’, conta. Esse incômodo resulta da própria pureza delas, que ainda têm o senso da fraternidade. O adulto, massacrado pelo dia-a-dia, deixou-se anestesiar pelo que ocorre à sua volta.
A história do dinheiro está contada no livro ‘‘O Dinheiro’’, também da Callis Editora. A última publicação neste gênero foi lançada no Brasil há 40 anos. Desde o sistema de trocas até os caixas eletrônicos, e uma síntese de nossa moeda, está neste volume.
Como se vê a carreira de Maria Cristina está tomando o rumo da literatura infantil e afastando-se da adulta. A autora concorda que isso está realmente acontecendo, embora o processo de criação seja muito mais difícil do que a literatura para adultos.
Quem escreveu para as duas faixas de público pode contar qual é a diferença que norteia os textos:
- Os infantis mostram sempre uma solução de mundo para a criança. Ela tem que achar que o mundo tem solução. No texto adulto eu mostro como somos ridículos.(Z.C.L.)

mockup