Livros para ouvir
Outro destaque ''tecnológico'' da Bienal do Livro é o estande da editora curitibana Nossa Cultura, especializada em audiobooks. Com um catálogo de 42 títulos próprios - e mais de 200 à venda no site - a empresa programou onze lançamentos durante o evento. Entre eles trabalhos de figuras como a atriz Marília Pêra, o pianista João Carlos Martins e o filósofo Rubem Alves (todos convidados para sessões de autógrafos e debates).
Alves, aliás, foi quem sugeriu ao empresário Samuel Lago a criação de uma editora do gênero, há quatro anos. A ideia partiu de um contato que ele teve com uma fã, professora e deficiente visual, que só tinha acesso à sua obra por meio de um programa de computador que converte texto em voz sintética.
Mas o perfil de quem consome audiobooks vai além. ''São, principalmente, pessoas que vivem nas grandes cidades e passam muitas horas no trânsito, ou então viajam a trabalho com frequência. Elas encontram nos audiobooks uma saída para a falta de tempo para ler'', diz a gerente de marketing da Nossa Cultura, Renata Sklaski.
Os produtos da editora são vendidos em CDs carregados com arquivos de MP3. Para setembro, a empresa promete oferecer títulos para download diretamente do site (www.nossacultura.com.br). O investimento se justifica: em julho, a Nossa Cultura teve um crescimento nas vendas de 50% em relação ao mesmo mês do ano passado. Um impulso motivado principalmente pelo incremento no setor de audiobooks da tradicional Ediouro, que recebeu recursos da ordem de R$ 1 milhão apenas em marketing - o que acabou favorecendo o segmento inteiro.
O mercado brasileiro, no entanto, ainda é tímido. Há 300 obras disponíveis, muito pouco se comparado aos catálogos da Alemanha e dos EUA, por exemplo, onde quase 10% dos lançamentos saem também na versão de audiobook (totalizando mais de 20 mil títulos novos por ano em cada um desses países).
Para Renata, a popularização do formato depende do fim de um preconceito. ''As pessoas acham que o audiolivro é para gente preguiçosa. Mas quem conhece sabe que ouvir um livro é uma experiência cultural totalmente nova'', afirma. (O.G.)





