LIVROS/ LANÇAMENTOS - Heróis verde-amarelos
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terça-feira, 28 de novembro de 2006
Antonio Gonçalves Filho<br> Agência Estado 
O Brasil trata mal seus visionários. Dois deles estão com livros na praça para provar a assertiva. O primeiro está vivo e, apesar de ter sido o primeiro brasileiro a cruzar sozinho, a remo, o Atlântico Sul, ainda tem de se humilhar diante de patrocinadores para bancar seus corajosos projetos de navegação. O segundo morreu há seis anos e lutou a vida inteira contra burocratas para concretizar seus sonhos. Sem ele, certamente o Brasil não estaria exportando aviões. O primeiro, claro, é Amyr Klink, que lança no dia 4, em São Paulo, seu livro ''Linha d'Água'' (Companhia das Letras, 350 págs., R$ 41). O segundo é o marechal-do-ar Casimiro Montenegro Filho (1904-2000), piloto do primeiro vôo do Serviço Postal Aéreo Militar e criador do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), homenageado pelo escritor Fernando Morais na biografia ''Montenegro'' (Planeta, 330 págs, R$ 39,90), que será lançado hoje, em Brasília.
Em ''Linha d'Água'', o navegador Amyr Klink conta episódios que, em muitos aspectos, guardam semelhanças com os relatados por Morais na biografia de ''Montenegro''. Klink revela, em seu livro, as dificuldades para convencer burocratas a preservar portos e impor idéias novas na construção do barco Paratii 2, como o uso do alumínio e das cavernas dobradas a frio na estrutura do barco. Em ''Montenegro'', Fernando Morais lembra a odisséia do marechal para dobrar seus pares e criar o ITA, idéia considerada estapafúrdia nos anos 1940, época em que o Brasil importava desde bicicletas até vasos sanitários.
Inquieto, Montenegro não se curvou. Conseguiu criar o ITA em 1945, num país que importava tudo, inspirado no respeitado MIT norte-americano (o Massachusetts Institute of Technology). Sem o ITA, certamente não existiria a Embraer, empresa nascida de uma costela do mesmo e que hoje exporta jatos até para a França. Do mesmo modo, sem a persistência de Amyr Klink, o Brasil não seria tão respeitado lá fora pelo heroísmo de um navegador que ousou há 17 anos percorrer 27 mil milhas, da Antártica ao Ártico, e projetou o País com a conclusão da etapa experimental de seu projeto de dar a volta ao mundo por uma rota nunca antes percorrida, no Círculo Polar Ártico.


