A impunidade de Hollywood por ‘‘crimes’’ como ‘‘Batman e Robin’’, ‘‘O Mensageiro’’ e ‘‘Bebês Geniais’’ está perto de acabar. Dois livros recém-lançados nos Estados Unidos vingam os cinéfilos que caíram no conto-do-vigário da terra do cinema e pagaram para ver estas e outras bombas.
Uma das obras é do conhecido crítico Roger Ebert, do jornal ‘‘Chicago Sun-Times’’ e do programa de TV ‘‘Robert Ebert and the Movies’’, exibido na América pelo canal Fox. Ele acaba de lançar ‘‘I Hated, Hated, Hated This Movie’’ (Andrews McMeel Publishing).
O título (inspirado em sua crítica para ‘‘O Anjo da Guarda’’, de Rob Reiner) já dá uma idéia do que o leitor vai encontrar em 400 páginas: alguns dos piores filmes dos últimos tempos. O crítico não apenas mete o pau nas produções; ele analisa o porquê de tanta coisa ruim. ‘‘O grau de ‘ruindade’ deles vai dos simplesmente deploráveis aos que foram apenas hilariamente mal-dirigidos’’, diz o autor na apresentação da obra. Segundo ele, alguns dos filmes são até engraçados.
O pior de tudo é que as análises são tão bem feitas que a gente fica até com vontade de assistir ao filme em vídeo. De acordo com o crítico, o objetivo do livro é ‘‘encorajar os bons filmes e desencorajar a produção dos ruins’’.
Ebert discute questões como o aviso politicamente correto nos créditos de ‘‘Mr. Magoo’’ para que os míopes não ficassem ofendidos e o papel de Rosie O’Donnell em ‘‘O Amor É Uma Grande Fantasia’’, de Gary Marshall - uma policial disfarçada de sado-masoquista.
Entre os filmes mais recentes, um dos atacados pelo crítico é ‘‘Armageddon’’, de Michael Bay. Ele destrói principalmente as atuações para lá de canastronas de Bruce Willis, Liv Tyler e Ben Affleck. Na apresentação do livro, o autor pede desculpas por suas ‘‘gracinhas’’ em alguns textos, mas diz que filmes que insultam a inteligência, o bom gosto e a paciência revelam o pior lado da nossa personalidade.
Michael J. Nelson, por sua vez, não pede desculpas por críticas arrasadoras a filmes como ‘‘O Mensageiro’’, de Kevin Costner, e carreiras inteiras, como as de Jim Carrey e Adam Sandler.
O criador e apresentador do programa de TV ‘‘Mystery Science Theater 3000’’ acaba de lançar ‘‘Mike Nelson’s Movie Megacheese’’ (HarperCollins), uma compilação de 65 ensaios sobre o pior que Hollywood produziu recentemente.
No programa de TV do Sci-Fi Channel, ele e uma dupla de robôs (Crow e Tom Servo) comentam filmes B daí para baixo ao mesmo tempo em que as fitas são exibidas em um telona. No livro, ele deixa o elemento cult de lado e desce o cacete em astros, estrelas e blockbusters de Hollywood.
Segundo ele, ‘‘Batman e Robin’’, com George Clooney como o Homem-Morcego e Arnold Schwarzenegger como o sr. Gelo, não é apenas o pior filme de todos os tempos, mas pior ‘‘coisa’’ já feita. ‘‘É inassistível’’’, diz ele. ‘‘Não faz o menor sentido, nem o visual nem o roteiro.’’
Adam Sandler, na opinião do autor, é um exemplo do que Hollywood tem de pior. ‘‘Será que ele é retardado mental? Será que ele está fazendo piada com retardados mentais? Em que nível eu tenho de assistir a ele? Por que a voz de bebê? Não entendo nada!’’ Vingado?

mockup