LIVROS - Editora Mostarda reúne reportagens em série
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quarta-feira, 01 de fevereiro de 2006
Flávia Guerra<br> Agência Estado 
Grandes reportagens, das quais se pode dizer que esgotam o assunto, atualmente são raridades na imprensa diária brasileira. Salvo exceções, a cobertura, sempre urgente, de assuntos controversos do cotidiano acaba não permitindo grande aprofundamento dos temas. Buscando tratar de questões iminentes da realidade brasileira e mundial, de forma clara e profunda, foi criada a Editora Mostarda, que já trouxe ao mercado com nove títulos de sua primeira fornada, a Coleção Repórter Especial, em co-edição com a Editora Terceiro Nome.
O lançamento reúne nove publicações escritas por jornalistas, que apresentam, explicam e debatem temas da ordem do dia, como as descobertas científicas na busca da cura para a aids, a polêmica dos transgênicos, a potência (e ameaça) econômica em que a China se tornou, a banalização da violência nas grandes cidades, a ciência e a espiritualidade, o futuro da internet.
''Tratamos dos temas com o olhar do jornalista. Foi de propósito, pois temos grande experiência na área. Trabalhamos como em uma redação. Os assuntos são tratados sem julgamento, explorando a vocação didática, informativa do jornalismo. Nosso objetivo é esclarecer e informar'', explica Ruy Mesquita Filho, um dos fundadores da editora ao lado de Edgar Gusmão Dias da Silva, Fernando Portela, João Lima Jr., Mary Lou Paris e Samuel Ribeiro Rossilho.
Com edição caprichada e preço acessível (R$ 18), a coleção traz livros compactos e de fácil leitura. ''Este é um mercado ainda pouco explorado. Os livros são ótimos, tanto para professores quanto para estudantes e leitores em geral. Já planejamos para abril mais 12 títulos'', acrescenta Mesquita.
A coleção não está fechada e o número de títulos tende a crescer ainda mais. ''Já estamos recebendo sugestões. Todo jornalista tem interesse em ser um repórter especial. Depois desta primeira leva, com certeza, vão surgir mais jornalistas interessados em colaborar'', prevê Mesquita. ''E há espaço. Além disso, como são temas atuais, estes primeiros volumes vão sofrer atualizações no futuro'', acrescenta a editora Mary Lou Paris.
Mais que o tom didático, vale ressaltar que a coleção tem o sabor do texto jornalístico, com linguagem que vai além do tom meramente expositivo. ''Os títulos são charmosos e instigantes. O Fernando Portela, um dos criadores do Jornal da Tarde, que, em seu nascimento primava tanto pelo jornalismo de grandes reportagens, passou horas e horas trabalhando nos títulos e na edição dos volumes'', conta Mary Lou. ''É um resgate do jornalismo de respiro'' finaliza.


