Os amigos festejam. Thomaz D'Amico, enfim, esvaziou a gaveta. Aos 84 anos, o poeta decidiu reunir seus sonetos num livro e num CD, que chegam hoje ao público em duplo lançamento na Biblioteca Pública de Londrina.
A sessão de autógrafos, prevista para às 20 horas, contará com um bate-papo entre o autor e o jornalista e escritor Paulo Briguet, que assina o prefácio da obra. A idéia é que, através da entrevista, a platéia passe a conhecer melhor as idéias do anfitrião.
Thomaz batizou seu livro de estréia de ''Versos Neuróticos''. ''É que a poesia é um estado de neurose'' explica ele. ''É uma arte exigente, absorvente, que deixa o sujeito extasiado a ponto dele não pensar em mais nada. Virgilio demorou 10 anos para escrever a 'Ilíada'. Dante levou 14 anos para completar a 'Divina Comédia'. Eu mesmo, durante os últimos anos, fiquei tão absorvido que acabei descuidando dos meus interesses particulares''.
Na capa, o título aparece com as cores alteradas nas letras ''n'' e ''u'', criando um efeito que acaba rebatizando o volume para ''Versos Eróticos''. Ele conta que o propósito foi ressaltar o conteúdo do livro, no qual procurou tratar de um tema tabu com delicadeza. Nos poemas, Thomaz dá primazia à paixão entre o homem e a mulher, não poupando descrições do ato sexual.
''Mergulhei na alma das pessoas para traduzir seus sentimentos submersos. O objetivo é a sacralização (não a exaltação) do amor carnal, como está na Bíblia'' salienta. A obra reúne 80 poemas, trazendo a colaboração do artista plástico Paulo Menten, que assinou a ilustração da capa e de algumas páginas. Abaixo de alguns poemas, o autor embutiu glosas com os significados das expressões menos usuais.
O recurso, segundo ele, foi adotado com o intuito de faciliar a leitura dos jovens. ''O livro é dirigido principalmente para eles, que estão afastados da poesia e da literatura em geral. Não estou preocupado com os doutores das universidades'' assinala. Foi a mesma intenção que o levou a gravar os 80 poemas num CD. Na versão em áudio, sua voz tem acompanhamento ao fundo da composição ''Jesus, Alegria dos Homens'', de Bach.
O CD foi gravado com recursos próprios, ao contrário do livro, que contou com verbas oriundas do Programa Municipal de Incentivo à Cultura. O poeta atribui o duplo lançamento ao professor Carlos Okawati, que o estimulou a reunir e publicar sua produção poética, além de ajudá-lo na montagem e apresentação do projeto do livro na Secretaria Municipal de Cultura.
''Ele foi o responsável por tudo, foi quem me fez acreditar em meus poemas'' sublinha. O livro juntou boa parte do que produziu nos últimos dez anos, período em que aperfeiçoou a técnica do soneto. ''Esse tipo de composição é de difícil feitura'' diz. ''O autor tem que achar a palavra certa, a métrica certa e a rima certa num esforço que submete o cérebro a um processo árduo de pesquisa''.
Até ser convencido pelo amigo, Thomaz se contentava em escrever e acumular textos na gaveta. A literatura o atraiu ainda adolescente. Aos 15 anos já lia Camões, Machado de Assis e Descartes. Nascido em Guariri, interior de São Paulo, trabalhou durante 30 anos no Banco do Brasil. Outros 30 foram dedicados à administração de um sítio. Só na última década, pôde relaxar para escrever poesia. ''Tomei a coisa como um desafio: não sei fazer verso, tenho que aprender. Foi assim que comecei'' conta. Seu livro estará à venda a R$ 15,00 e o CD a R$ 10,00.

Serviço:
- Lançamento do livro ''Versos Neuróticos'', de Thomaz D'Amico. Hojem às 20 horas, na Biblioteca Municipal de Londrina (Av. Rio de Janeiro, 413).

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