LIVRO/LANÇAMENTO - Professor questiona 'mito do progresso'
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 16 de julho de 2004
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
''O amanhã não vai ser melhor do que hoje. O futuro não vai trazer soluções definitivas para os problemas da humanidade. Não avançamos nem retrocedemos, apenas mudamos. Nós resolvemos alguns problemas e criamos outros. O mundo perfeito nunca vai existir''. Com frases como estas, o historiador paulista Gabriel Giannattasio, professor do departamento de História da Universidade Estadual de Londrina (UEL), questiona o que chama de ''mito do progresso'' o senso comum de que as inovações tecnológicas e científicas conduzirão a humanidade a um futuro próspero.
Tal crítica é a base do livro ''Próxima Parada: O Haras Humano'' (Atrito Art Editorial), que será lançado hoje, a partir das 18h30, no Bar & Restaurante Sabor e Ar, em Londrina. A obra é um ensaio que Giannattasio pensou em escrever após oferecer um curso especial a alunos de História e Filosofia da UEL há quatro anos e depois do autor cursar pós-doutorado na França, com pesquisas sobre o Marquês de Sade. O professor explica que também foi influenciado por um manifesto enviado pelo terrorista Unabomber aos jornais americanos em meados dos anos 90, que questionava se a tecnologia realmente fazia melhor a vida do homem.
''O que busco expôr é que na opinião leiga e da mídia há uma condenação veemente dos procedimentos tecnológicos e ideológicos do nazismo, mas o que passa despercebido é que a nossa contemporaneidade está contaminada por práticas e ideologias semelhantes às dos nazistas. Há uma idéia de eliminação do diferente. Por trás do Projeto Genoma, o que existe é a busca do homem perfeito. Mais do que determinar características físicas, o que se quer é eliminar o defeituoso, físico e de caráter. Estabelecer uma aristocracia genética'', argumenta Giannattasio.
O professor acredita que a ciência erra ao se agarrar a parâmetros de melhor e pior, avançado e retrógrado, visto que o que existe apenas é a diferença. ''Existem muitos setores preocupados com a questão da ética na ciência. Mas por mais discussões que sejam feitas, enquanto estivermos dominados por essa lógica de melhor e pior, não existirá esforço ético capaz de impedir a busca desse projeto do homem perfeito'', diz ele.
Giannattasio alega que esse processo de eliminação das diferenças pode ser verificado em várias outras questões: culturais, ideológicas, religiosas, econômicas, políticas. ''Existe um esforço para uniformizar a humanidade em todos os aspectos. O terrorismo nasce de uma espécie de asfixia do homem. Um mundo que segue sempre a lógica do progresso, de que o novo é melhor do que o arcaico, é tão intolerante quanto o radicalismo islâmico. Quem duvida que os Estados Unidos praticam hoje um terrorismo estatal?''.
Polêmico, ''Próxima Parada: O Haras Humano'' é o terceiro livro de Giannattasio. O quarto, '''Agora, Quem Sou Eu?' - Cartas Inéditas'', composto de traduções de correspondências privadas do Marquês de Sade, está no forno da Editora Iluminuras.
Serviço
- Lançamento do livro ''Próxima Parada: O Haras Humano'', de Gabriel Giannattasio. Hoje, às 18h30, no Bar & Restaurante Sabor e Ar (Av. Aminthas de Barros, 46, no Zerão), em Londrina. Mais informações pelos telefones (43) 3322-3280 ou 9117-8080.


