LIVRO/LANÇAMENTO - Para gostar do texto
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de março de 2004
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Diante do desafio de estimular a produção de texto em salas de aula de escolas públicas para o desenvolvimento de um aluno mais competente no domínio da linguagem e do senso crítico perante os mais variados discursos verbais e não-verbais, um grupo de professoras da Universidade Estadual de Londrina (UEL) lança oficialmente no próximo dia 3 o livro ''Textuais: roteiros para leitura e produção'', publicação rara no ramo de materiais didáticos do gênero. O evento será realizado na Casa de Cultura, das 10 às 12 horas. O público-alvo são professores do 2º grau de escolas públicas que têm no material um grande aliado na elaboração de aulas mais criativas e interessantes.
Escrito pelas professoras Joyce Elaine de Almeida, Luciana Pereira da Silva, Maria Beatriz Pacca e Martha Augusta Gonçalves, o livro é resultado do projeto de extensão ''Pontes para o texto: leitura e produção'', desenvolvido pelo Departamento de Letras Vernáculas e Clássicas da Universidade Estadual de Londrina. O projeto idealizado inicialmente pela professora Vanderci de Andrade Aguilera , foi iniciado em 1989, quando era denominado ''Em busca do discurso: métodos e técnicas de redação para o 1º e 2º graus''. Por ano participam cerca de 20 alunos estagiários do terceiro e quarto anos do curso de Letras. Até agora, mais de 240 estagiários participaram do projeto que já beneficiou 7,5 mil alunos da rede pública de Londrina. Atualmente, seis escolas estão sendo atendidas pelo projeto.
Segundo Joyce, todos os roteiros de aulas são preparados estabelecendo um período de motivação antes das atividades práticas de produção de texto, mas sempre fundamentado em aspectos teóricos. Divertidas, as aulas também incluem jogos e músicas. ''Tudo é feito de forma bem dinâmica e o aluno nem percebe que está estudando teoria, nas entrelinhas'', disse a professora. O livro insere 21 roteiros, indicados para aulas no período de um ano.
''A idéia de produzir o livro foi uma forma de estender a experiência do projeto também aos professores, de modo geral, que diariamente se vêem diante do desafio de estimular os alunos a escrever. O livro serve de 'start' para que o professor vá acrescentando novas atividades dentro do roteiro preestabelecido'', informou a professora Martha, atual coordenadora do projeto. Ao todo, foram publicados 500 livros, pré-lançados no final do ano passado durante a 16 edição do Centro de Estudos Linguísticos e Literários do Paraná (Cellip) , na Universidade Estadual de Londrina.
O livro contempla várias modalidades de discurso, incluindo textos publicitários, narrativos, argumentativos, de humor, fábulas, entre outros. Todos os textos foram escolhidos pelas autoras do livro, não retirados de outras publicações didáticas já existentes. Além disso, no final de cada capítulo, há uma bibliografia complementar sugerida, caso o professor queira ampliar a pesquisa do tópico abordado. ''Esse tipo de material ainda é pouco explorado no mercado editorial brasileiro, apesar da grande demanda de quem lida com sala de aula diariamente'', acrescentou Martha.
Juliana Fogaça Sanches, 24 anos, hoje professora de Letras, tomou gosto pela produção de texto quando, então no segundo colegial, foi aluna das estagiárias do projeto. Na sala de aula, a problemática dos textos era trabalhada com humor e isso despertava os interesses dos alunos adolescentes. ''A partir daquela experiência, realmente passei a me interessar pela produção de texto, tanto que hoje sou professora e, mais tarde, tive a oportunidade de ser estagiária do projeto'', afirmou Juliana, que chegou a ganhar concurso de paródias realizado durante execução do projeto.
A publicação também está atualizada com as recentes mudanças do vestibular, que cada vez mais exige do aluno a capacidade de interpretação através da escrita e da leitura. ''O nosso objetivo é que o aluno esteja preparado para ter uma atuação não limitada socialmente; seja capaz de exercitar o seu senso crítico diante dos mais diferentes discursos. Seja um leitor pleno, consiga avançar, além do texto propriamente dito'', ressaltou Maria Beatriz, também uma das autoras do livro.
Questionadas sobre a influência da televisão e da internet na produção de texto dos alunos, as professoras relataram que os dois veículos não são encarados como ''ameaças'' à produção textual, e sim como desafios. ''É importante que a escola esteja disponível para renovar os seus padrões e trabalhar com as questões apresentadas pela modernidade. A internet e a televisão trazem a linguagem da imagem, e acreditamos que ela seja tão importante quanto a do texto escrito'', avaliou Martha.
Segundo as professoras, os adolescentes trazem com eles uma grande bagagem de conhecimento e talento, muitas vezes promovidos pelo contato precoce com a televisão e a internet, que promovem um desenvolvimento mental bastante ágil. ''Quando estimulado adequadamente, o aluno adolescente corresponde muito bem à produção de texto. Defendemos que o contato com o texto escrito tem que ser fomentado pela escola. É ela que tem a obrigação de despertar isso no aluno'', afirmou Martha.
Serviço:
Lançamento do livro ''Textuais: roteiros para leitura e produção'', das professoras Joyce Elaine de Almeida, Luciana Pereira da Silva, Maria Beatriz Pacca e Martha Augusta Gonçalves. Quando: 3 de abril. Local: Casa de Cultura (Rua Mato Grosso, 537 esquina com a Avenida Celso Garcia Cid telefone (43) 3323-8562). Horário: das 10 às 12 horas. O livro, publicado pela Editora Humanidades, com capa do artista plástico Cláudio da Costa, pode ser solicitado pelo telefone (43) 3371-4428.


