LIVRO/LANÇAMENTO - O resgate de um nome
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de setembro de 2003
Nelson Sato<br> Folha de Londrina 
A arquitetura moderna de Londrina é associada, costumeiramente, a Vilanova Artigas (1915-1985). Profissionais da área, livros, exposições e reportagens jornalísticas não cansam de exaltar sua autoria em obras arrojadas como a Estação Rodoviária (hoje Museu de Arte), o Cine Teatro Ouro Verde e o Edifício Autolon.
Mas, ao pesquisar a contribuição do arquiteto para a paisagem urbana da cidade, a professora Juliana Suzuki pinçou uma informação pouco divulgada sobre a importância do colaborador Carlos Castaldi para o prestígio conquistado pelo mestre na região.
No livro ''Artigas e Cascaldi Arquitetura em Londrina'', que será lançado hoje, às 19 horas, na Bom Livro Megastore (Catuaí Shopping Center), ela conta que a indicação para a contratação de Artigas teria partido de Rubens Castaldi, nome forte da Prefeitura durante a gestão de Hugo Cabral, onde ocupava o cargo de Diretor do Departamento de Obras Públicas.
Rubens era irmão de Carlos, que por sua vez dividia um escritório de arquitetura com Artigas em São Paulo. ''Foi um acaso feliz'' resume Juliana. ''Artigas era a força criativa da dupla, cabendo a Carlos a função operativa de condução técnica dos projetos. Mas o parentesco deste último foi fundamental para a vinda do parceiro, mesmo porque naquela época (1948) Artigas ainda não era uma figura proeminente em termos nacionais''.
No livro, Juliana não se limita a contar os bastidores da história. A maioria das 154 páginas do volume é dedicada à análise das obras projetadas pelos dois em Londrina, algumas a convite da Prefeitura e outras encomendadas por empresas privadas. Ao todo, foram 12 projetos, 5 deles executados e 7 não construídos.
O legado abrange a Estação Rodoviária (1948-1952), o Complexo Edifício Autolon (1948-1951), o Cine Ouro Verde (1948-1952), a Casa da Criança (1950-1955), os vestiários do Londrina Country Club (1951), a residência Milton Ribeiro de Menezes (1952) e a ampliação da Santa Casa de Londrina (1948). Entre as obras não construídas constam o Hospital de Londrina (1948), o Ginásio de Esportes do Londrina Country Club (1950), o Posto Transparaná (1950), o Estádio Municipal de Londrina (1953) e o Posto de Serviço para a Sociedade Autolon/oficinas Chevrolet (1951).
''O objetivo do livro é documentar esse patrimônio, que ainda não foi devidamente divulgado, além de conscientizar para sua valorização e preservação já que esse conjunto arquitetônico fabuloso está sendo descuidado, degradado e sofrendo contínua descaracterização''. No livro, ela examina-os um por um descrevendo suas características modernistas originais e os detalhes que apontam a coesão estética e funcional dos projetos.
''Artigas e Castaldi tiveram a oportunidade de desenvolver suas idéias com liberdade sem encontrarem grandes restrições financeiras, tampouco de linguagem arquitetônica'' assinala o texto introdutório. A autora lembra que, na época, a cidade transformou-se num campo de experimentação para os dois convertendo-se em ponto de inflexão em suas trajetórias. ''A partir desse momento'' escreve ''eles deixam de ser arquitetos de projetos de pequeno porte, sobretudo residenciais, para assumir obras públicas de grandes dimensões. A repercussão desses trabalhos, sobretudo o da Estação Rodoviária, contribuiu para alçar seu nome ao nível dos grandes expoentes da arquitetura moderna brasileira''.
Ao esmiuçar as obras, Juliana não pouca críticas às modificações impostas ao longo dos anos aos projetos originais. Lamenta, por exemplo, o desleixo com que foi tratado o conjunto formado pelo Cine Ouro Verde, o edifício Autolon e o espaço intermediário previsto para ser um restaurante. Localizado na Rua Maranhão esquina com a Rua Minas Gerais, esse complexo arquitetônico sofreu tantas avarias, que acabou sendo visto como blocos isolados sem ligação entre si.
O resultado é que, em 2002, apenas o Cine Ouro Verde foi tombado pela coordenadoria do Patrimônio da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná. Para a autora, os poderes públicos ''ainda devem uma explicação para esse absurdo''. O livro, que é fruto de dissertação de mestrado na Fau-USP, chega às prateleiras pela editora Ateliê. A autora, graduada em Arquitetura e Urbanismo pela UEL, é docente de História da Arquitetura e Técnicas Retrospectivas no Centro Universitário Filadélfia (Unifil) e Universidade Norte do Paraná (Unopar) em Londrina.
Serviço:
Lançamento do livro ''Artigas e Cascaldi - Arquitetura em Londrina'', de Juliana Suzuki.Hoje, às 19 horas, na Bom Livro Megastore (Catuaí Shopping Center).


