Aos 74 anos, Roberto Koln lembra em detalhes do dia em que foi convidado para criar algum tipo de entretenimento para um baile de ''charleston'', que aconteceria na antiga sede do Londrina Country Club. Na época, devido a chuvas torrenciais, as grandes atrações da festa, colunistas famosos do Rio de Janeiro, como Ibrahim Sued, não puderam comparecer ao evento devido ao fechamento do aeroporto. Criativo, o até então dono da Ótica Avenida, recém-chegado de São Paulo, que havia tido algumas experiências teatrais na TV Tupi, organiza uma espécie de jogral, ''As notícias do dia'', onde várias personalidades da cidade interpretaram comicamente algumas notícias da época temática do baile, como o nascimento de Marilyn Monroe e a guerra de gângsteres.
A despretendiosa idéia acabou sendo um sucesso e não demorou muito para ser convidado pelo jornalista Antônio Vilela de Magalhães (1925-1985) a formar um grupo de teatro em Londrina. ''As coisas foram acontecendo de uma forma muito natural e havia uma condição propícia na cidade para essa formação cultural, principalmente pelo retorno à cidade da primeira geração de londrinenses que havia saído para estudar'', contou Koln.
Contando com o método de 'type casting' na formação do elenco, Koln ia convidando os futuros atores pelo perfil físico, mas também pela personalidade que mais se adequava aos papéis. ''A gente 'brincava' de fazer teatro, mas tudo era levado muito a sério. Cerca de 150 pessoas, ao todo, passaram pelo nosso grupo'', relembrou.
A primeira peça do grupo Permanente de Teatro, ''O Noviço'', de Martins Pena, estreou no dia 9 de fevereiro de 1957, no auditório do Colégio Hugo Simas. Mais uma vez a idéia deu certo e em pouco tempo a trupe amadora teve que se mudar para duas casas de mata-junta, na Rua Goiás, que pertenciam à Rádio Londrina, para o estabelecimento do Teatro do GPT, com 120 lugares. ''Era uma belezinha e olha que as poltronas até hoje estão sendo utilizadas pela Associação Médica de Londrina'', afirmou Koln, lembrando que desde aquela época já se discutia a importância da construção de um teatro municipal.
O grande sucesso viria com o quinto espetáculo do GPT, aquele que encerraria o fértil ano de 1957: ''O Boi e o Burro no Caminho de Belém'', de Maria Clara Machado, apresentado no dia de Natal na Concha Acústica da Praça 1º de maio, que atingiu um total de público de 10 mil pessoas.
Com uma efervescência cultural cada vez maior, o GPT trouxe para Londrina textos de autores estrangeiros consagrados como Eugene O'Neil, Anton Tchekov, Luigi Pirandello, Bernard Shaw, Jean Cocteau, Carlo Goldoni. Mas também valorizava os autores nacionais como Martins Pena, Machado de Assis, Maria Clara Machado, Silveira Sampaio, Ariano Suassuna, Gianfrancesco Guarnieri. No caso desses dois últimos autores, o ineditismo do grupo também foi marcante: em pouco tempo após o lancamento nacional de ''O Auto da Compadecida'' (de Suassuna) e ''Eles Não Usam Black-Tie'' (de Guarnieri), as peças eram apresentadas em Londrina.
Também foi de Koln a iniciativa de criar o teatro volante rural, que após três apresentações, acabou não vingando por falta da continuidade de patrocínio.
Em 1963, com a inauguração da TV Coroados, a primeira do interior do Paraná,
a cidade já dá indícios que entrava em uma outra fase. A atenção do público agora concorria com a telinha e muitos integrantes do GPT acabaram migrando para o teleteatro. Além disso, a ditadura militar começava a vigorar e questões financeiras e pessoais acabaram por ocasionar o retorno de Koln para São Paulo. Em 1964, a promessa de um cargo público na área de cultura na cidade, acaba trazendo o diretor à Londrina, que dirige a última peça do grupo, ''A Mandrágora''. ''Foi uma história muito bonita e só posso ficar emocionado agora com tanta homenagem em vida'', relatou.

mockup