Abrir ''98 Tiros de Audiência'', de Aguinaldo Silva, autor de ''Senhora do Destino'' (2004) e ''Tieta'' (1989), entre outras, e ''A Senhora das Velas'', de Walcyr Carrasco, de ''Alma Gêmea'' (2005) e ''O Cravo e a Rosa'' (2000), é quase como sintonizar os trabalhos dos escritores na TV.
Assim como costuma oferecer para o telespectador, Silva dá ao leitor de ''98 Tiros de Audiência'' uma história repleta de drama e mistério. O livro fala sobre o assassinato de Aurora Constanti, a estrela da novela das oito. A investigação do crime mostra o lado obscuro dos bastidores da TV.
Em seu 14º romance, ele conta que se inspirou nos 27 anos dedicados à TV para escrever a obra. ''Era um ambiente em que poderia transitar facilmente. E a telenovela, assim como o futebol, outro assunto de interesse nacional, nunca tinha sido abordada pela ficção brasileira. Era um território virgem e, modéstia à parte, ninguém melhor que um autor de novelas, que é também romancista, para desbravá-lo'', diz.
Apesar de se tratar de ficção, Silva afirma que alguns fatos retratados no livro não são mera coincidência. ''Usei histórias reais e acrescentei temperos da ficção. Pessoas que viveram ou testemunharam essas histórias vão reconhecê-las'', fala, recusando-se a dar nomes - é mais fácil arrancar dele quem matou Aurora Constanti.
Já Carrasco narra a história do órfão Felipe em ''A Senhora das Velas'', sua estréia na literatura para adultos. Um sonho intrigante, que é seguido por um acontecimento inesperado na vida dele, faz o protagonista procurar uma criatura que é responsável pela vida e pela morte.
O autor, como em suas novelas, abusou de elementos sobrenaturais e mitológicos na história. ''A idéia é que todos nós temos a chama da vida. Em algum lugar, que não é aqui, nem lá, existe uma imensa caverna onde estão as velas com as chamas da vida de cada pessoa. Quando a chama se apaga, a pessoa se vai. A Senhora das Velas cuida das velas das vidas'', conta. Lembrou de alguma trama?

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