LIVRO/LANÇAMENTO - Coleção 'Camisa 13' ganha mais um volume
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de agosto de 2005
José Geraldo Couto<br> Folhapress 
Uma coleção de livros sobre grandes clubes de futebol, escritos por torcedores mais ou menos célebres, corre o risco de cair na armadilha da redundância e da previsibilidade. Como fugir da mera apologia e evitar que um livro desse gênero seja uma espécie de pregação para convertidos, destinado a ser lido apenas por torcedores fanáticos como seu realizador?
Os autores da coleção ''Camisa 13'' têm buscado modos diferentes de enfrentar essa questão. Luís Fernando Verissimo, por exemplo, optou por uma narrativa autobiográfica, centrada em suas relações sentimentais com o Internacional de Porto Alegre.
Sérgio Augusto, por sua vez, apesar de também escrever em primeira pessoa, escolheu um enfoque mais amplo, transformando seu livro sobre o Botafogo num extenso painel do futebol e da cultura carioca ao longo das décadas, tendo como centro a estrela solitária e um punhado de personagens-chave.
Mário Prata foi menos feliz ao tratar do seu Palmeiras: partiu para a ficção e concebeu uma história de amor um tanto rasa entre um corintiano e uma palestrina, que serviu de base ao filme ''O Casamento de Romeu e Julieta'', de Bruno Barreto. Anexado ao entrecho ficcional, mas sem ligação orgânica com ele, o volume traz um apêndice com dados históricos sobre o Palmeiras.
O título mais recente da coleção, escrito pelo compositor, produtor e escritor Nelson Motta, colunista da Folha, adota um recorte original e arrojado para falar do Fluminense.
Em vez de se estender pela longa história de glórias do aristocrático clube das Laranjeiras, Motta concentra-se num período de dois anos e tem como protagonista não um ídolo da torcida, mas um ''cartola'', o juiz de direito Francisco Horta, que montou um time repleto de craques no biênio 1975-1976, quando foi presidente do Fluminense.
Não se trata de isolar um momento de triunfo para enaltecer o clube e fazer pouco dos rivais. Pelo contrário. Nelson Motta é o mais civilizado e ecumênico dos torcedores, derramando-se em elogios aos grandes esquadrões da época (como o Internacional de Falcão) ou pouco posteriores (como o Flamengo de Zico).
O autor chega a desafiar o tabu da ''fidelidade até a morte'' ao iniciar o livro com a frase: ''Antes eu era Flamengo''. Em seguida, confessa que ficou siderado também pelo Botafogo de Garrincha e Nilton Santos.
Mas ''Fluminense - A Breve e Gloriosa História de uma Máquina de Jogar Bola'' é mais que um mero elogio do bom futebol.
Ao contar a saga um tanto maluca de Francisco Horta - que tentou montar o melhor time do mundo sem ter um tostão em caixa -, Motta acaba por fazer uma crônica de bastidores que transcende o âmbito do futebol e desvenda a cultura do jeitinho e da ''brodagem'', a promiscuidade entre a política e o esporte, a indistinção entre o público e o privado que caracterizam o ''brazilian way of life''. Não é preciso ser tricolor para lê-la com proveito e prazer.
Serviço:
- Fluminense - A Breve e Gloriosa História de uma Máquina de Jogar Bola, de Nelson Motta. Editora: Ediouro, R$ 34,90 (160 págs.)


