LIVRO/LANÇAMENTO - Arquitetura sob vários ângulos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 29 de março de 2004
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
A bibliografia dedicada à arquitetura de Londrina e região cresce a cada ano, ampliando o repertório de especialistas e leigos sobre o assunto. O volume ''Arquitetura e Cidade no Norte do Paraná'', que será lançado hoje, contribui para o debate reunindo 20 artigos sobre os mais diversos aspectos da paisagem urbana local.
O lançamento será às 19h30, no Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Av. Maringá, 2.400). A publicação é resultado de um programa de mestrado patrocinado pela Capes e realizado em parceria pela USP e UEL cujo convênio permitiu um intercâmbio entre professores e alunos de pós-graduação das duas instituições. Os textos reunidos são resumos de dissertações defendidas entre 2000 e 2001.
''O livro é uma produção coletiva. A maioria dos artigos trata de questões regionais. Os autores são, hoje, professores da UEL, Unopar, Unifil e UEL'' diz Antonio Carlos Zani, organizador da coletânea ao lado da professora da USP Maria Irene Szmrecsanyi. Os dois também assinam trabalhos no volume. O livro é dividido em três partes: Arquitetura, Técnicas de Projeto e Construção e Cidade e Região.
Maria Irene investiga as possíveis influências do modelo das cidades-jardins idealizado por Ebenezer Howard como solução capaz de levar à superação das miseráveis condições de habitação e trabalho popular existentes na Londres do século 19 sobre os projetos de urbanismo e planejamento implantados no Norte do Paraná, particularmente em municípios pólos como Londrina e Maringá.
A partir da hipótese, ela critica a importação do modelo como uma idéia fora do lugar. Zani, por sua vez, analisa a arquitetura das casas de madeira construídas entre as décadas de 30 e 70 no norte paranaense. Procura demonstrar que tais edificações constituíram uma ''cultura arquitetônica'' singular na região.
Para endossar o argumento, ele elenca uma série de elementos comuns às casas, como a volumetria dos telhados, a textura do material madeira aplicado na vertical, o conjunto de tábua e mata-junta, os ornamentos, as varandas, a cor e o apoio dos edifícios sobre porão. O autor salienta que a exploração da peroba rosa para a construção das casas durou aproximadamente 40 anos.
''Com a escassez de madeira no final da década de 60 e início da de 70, as construções com este material passaram a ter um custo próximo ao da alvenaria e deixaram de ter a preferência da maior parte da população'' assinala. Ao final do artigo, Zani defende a importância de reconhecer, preservar e recuperar essa tradição arquitetônica, ''até como material repositório para futuras propostas no plano da arquitetura regional, principalmente o habitar popular''.
A coletânea mescla textos técnicos de difícil paladar para os não-especialistas com artigos instigantes para leitores em geral. Ana Cláudia Gimenez Mesquita Zangirolani analisa ''A Arquitetura da Avenida Higienópolis de Londrina nos Anos 30 e 30''. Maria Luiza Fava Grassiotto aborda os ''Espaços Comerciais: A Arquitetura em dois Shopping Centers de Londrina''. Denise de Cássia Rossetto Januzzi faz uma ''Avaliação de Áreas Públicas do Centro da Cidade de Londrina: Praça Marechal Floriano Peixoto e Calçadão''.
Juliana Harumi Suzuki examina o legado modernista em ''Villanova Artigas e Carlos Castaldi em Londrina: Uma Contribuição ao Estudo da Arquitetura Moderna no Estado do Paraná''. Teba Yliana Godoy escreve sobre ''Três Pioneiros da Arquitetura Londrinense: Ivan Jekoff, Léo de Judá Barbosa e Luiz César da Silva''. Fausto C. de Lima lembra a ''Contribuição de Prestes Maia ao Urbanismo Moderno de Londrina''. Mais 12 textos completam a coletânea, que traz 266 páginas.


