LIVRO/LANÇAMENTO - A vida de Isadora Duncan
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 21 de maio de 2004
Karla Dunder<br> Agência Estado 
A vida da bailarina Isadora Duncan renderia não apenas um livro, mas muitos. Em ''Isadora, Uma Vida Sensacional'', Peter Kurth dedica-se a contar com riqueza de detalhes as histórias que envolvem essa mulher revolucionária, um marco para a dança moderna e para o feminismo.
O autor preocupa-se em descobrir a mulher por trás do mito. Vasculha a trajetória de Angela Isadora Duncan com lirismo para apresentar os êxitos e infortúnios em sua história. Começa sua narrativa no fim do século 19, com a descrição da São Francisco da época e da família Duncan. O pai de Isadora, Joseph Duncan, era uma figura um tanto complexa, um Midas às avessas, que levou sua família e tantas outras à bancarrota com a falência de um banco. A mãe, Mary Dora Gray, era uma mulher arrojada para o seu tempo, uma das primeiras feministas, 30 anos mais jovem que o marido.
O dia do nascimento de Isadora foi marcado por tumultos e manifestações contra as especulações de seu pai. Pouco tempo depois, seus pais se separariam e a imagem que a garota guardou de Joseph Duncan era a de um monstro. Viu seu pai apenas uma vez. O casamento, na sua concepção de menina, era algo terrível para as mulheres. Assim cresceu Isadora.
Muitas tragédias ainda estavam por vir. Foi lançada de uma janela de um prédio em chamas, perdeu dois filhos afogados, morreu de forma trágica, enforcada com o próprio xale de franjas longas. A coragem era a sua marca, não apenas no âmbito da vida pessoal, como em sua revolucionária dança.
Nada de collants, sapatilhas ou tutus. Nada de passinhos para lá e para cá. Vestida em túnicas, descalça, Isadora redescobriu os princípios clássicos de beleza em sua dança. Obviamente que foi incompreendida por muitos de seus contemporâneos. Movimentos e ritmos inspirados na natureza, nas emoções. Aos 11 anos, a precoce bailarina já ensinava o seu novo ''sistema de cultura do corpo e de dança''. Aos 18 anos, escolheu Chicago como sua nova residência e em pouco tempo transformou-se em mito.
Uma mulher amada e de muitos amantes. Uma das primeiras a levantar a bandeira do socialismo e retratada por diversos artistas de seu tempo, como Auguste Rodin. Chegou a ganhar o título de Musa do Modernismo.
''A vida de Isadora Duncan é fascinante, eu sabia muito pouco sobre ela, sobre seus feitos'', observa a tradutora Cristina Cupertino.
O escritor Peter Kuth conta que seu interesse por Isadora nasceu da vontade de escrever a biografia de uma mulher popular e de peso no início do século 20. Sem saber muito a respeito da artista, o jornalista dedicou uma década a essa pesquisa. Como ele afirma, esse não é um livro de dança e sim a reconstrução da história de um mito e de uma mulher.
Serviço:
- ''Isadora, Uma Vida Sensacional'', de Peter Kurth. Editora Globo, 730 páginas, R$ 76,00.


