LIVRO/COMPORTAMENTO - A irritação é um veneno
PUBLICAÇÃO
sábado, 23 de agosto de 2003
Ana Setti Rosa<br> Reportagem Local 
Quem se irrita de forma constante ou se deixa envolver com facilidade por esse sentimento de exasperação que não encontra saída, precisa tomar cuidado. Segundo afirma um dos gurus da corrente filosófica conhecida como ''Nova Era'', Torkom Saraydarian, em seu livro ''Irritação, o fogo destruidor'', essa sensação (irritante) produz um veneno, chamado pelos iogues de ''imperil'', que se espalha vagarosamente pelo organismo, causando os mais variados tipos de disfunções. Tanto pode interromper o fluxo natural de energia nos órgãos, tornando-os mais sujeitos à proliferação de bactérias e micróbios, quanto fazer exatamente o inverso, ou seja, exacerbar a energia, estimulando a atividade celular e, consequentemente, o desenvolvimento de tumores e cânceres.
Mas o que provoca essa sensação tão nefasta à saúde? Há causas mais facilmente observáveis ou audíveis, no caso, como o barulho, que ''tem um efeito desintegrador sobre a mente'', conforme explica Saraydarian. Há outras mais sutis, só que em maior quantidade, sobre as quais, porém, temos condições de exercer controle, principalmente se tivermos coragem de encará-las. Entre elas, destaca-se o deixar-se guiar na vida por sentimentos de raiva, ódio, egoísmo, preconceito, vingança, frustração e mesmo de rejeição e de inferioridade, quando nos colocamos no papel de vítimas, de explorados ou de injustiçados, ou nos consideramos sempre piores do que os outros. As pessoas que vivem se queixando também estão sujeitas à ''uma inundação de imperil'', bem como aquelas que gostam de criticar ou de se entregar à bisbilhotice, o que ''carrega o corpo com polarização negativa, criando irritação e imperil'', de acordo com o guru.
A intolerância, a exigência excessiva e a manipulação do outro por meio da coerção são fatores que estimulam a produção do veneno. Mas até mesmo uma dupla de sentimentos aparentemente inofensivos, como a impaciência e a ansiedade, é capaz de provocar grandes transtornos. Na impaciência, comenta Saraydarian, ''nossa aura se distende e se torna disforme, o corpo emocional se agita, causando irritação''. Já a ansiedade ocasiona ''pressão sobre os corpos astral e etérico e sobre o sistema nervoso, irritando-os violentamente e produzindo imperil''.
Alguns sentimentos, como o aborrecimento e a preocupação, não se responsabilizam diretamente pela irritação que nos aflige, mas tal qual uma porta sempre aberta, podem facilitar, e muito, a sua entrada e instalação em nosso sistema orgânico. Como diz Saraydarian, o aborrecimento ''começa no corpo emocional, espalha-se no corpo mental, desce para os nervos e se transforma em irritação''. A preocupação, por outro lado, ''habita o plano mental inferior e cria vórtices nos quais um homem é aprisionado''. Contudo, pode ser dispersada ''pela análise e planejamento na direção correta e daí pela elevação de nossa consciência para um nível mais alto''.
Analisar e se conscientizar sobre o que está ocorrendo, aliás, têm tudo a ver com a possibilidade de nos livrarmos do perigo da irritação... ou não. Para Saraydarian, podemos ter consciência em relação ao que nos está irritando, mas ''resistir'' a essa influência de forma negativa. Isso significa registrar essas impressões, mas detestá-las, amaldiçoá-las, aborrecer-se com elas e não tomar nenhuma medida positiva para eliminar suas causas. Na que funciona, a ''resistência consciente positiva'', a pessoa registra as impressões negativas e toma iniciativas físicas e psicológicas para eliminá-las, afastá-las ou usá-las de maneira criativa. Talvez fique mais fácil entender como isso se processa por meio de um exemplo que o autor dá: ''Você convive com uma pessoa que constantemente age de uma maneira tola e sem consideração e você se julga com todo direito de ficar irritado. Na resistência consciente positiva, você procurará encontrar uma maneira de reagir a essa pessoa, de tal forma que o comportamento dela se torne uma ajuda efetiva para você desenvolver paciência, compreensão e compaixão''.
Fácil? Nem tanto, mas, segundo Saraydarian, só aprendendo a manipular as fontes de irritação por meio da resistência consciente positiva - elevando-a ao nível de uma arte -, será possível, em vez de irritação, ''suscitar coragem, bom senso, estabilidade, equilíbrio, ousadia e sabedoria''. Algumas ''ferramentas'' revelam-se muito úteis nesse processo: o desprendimento, que impede que nos envolvamos pessoalmente ou nos identifiquemos com as impressões negativas; a observação, que cria uma distância entre o objeto e o observador; e a análise, que é a capacidade de desintegrar a impressão, enfraquecendo-a por meio da dissecação, ao mesmo tempo que se busca entender, nesse processo, por que aquela determinada impressão está nos ''pegando''. Isso nos ajudará a encontrar uma forma de ''desprendê-la'' de nossas vidas.
No mais, vale a pena desenvolver a paciência, que é ''um forte escudo contra a irritação''. A grande vantagem é que ''quando alguém aprende a ser paciente, corta em noventa por cento as fontes de irritação''. Humildade também é recomendável, o que não significa fraqueza, ''mas resultado da conquista de um grande poder e sabedoria que não contra-ataca''. Outra força igualmente válida nessa batalha é a dignidade, ou ''a capacidade de permanecer dentro do seu ''self'' - nossa essência divina, segundo o autor - ''e ter uma visão desprendida dos interesses triviais da vida''. Por meio da dignidade, Saraydarian assegura, ''irradiamos nossas conquistas espirituais e encorajamos as pessoas a fazerem o mesmo esforço''. A irritação prende as pessoas à imagem do passado, impedindo-as de olhar em direção ao futuro. A dignidade alimenta o coração e ''é no coração que o espírito está ancorado''. Dito de outra forma, ''dignidade é o momento do nascer do sol no nosso interior''.
Serviço: ''Irritação, o fogo destruidor'', de Torkom Saraydarian. Editora Aquariana. Vendas e mais informações: Fone: (11) 5031.1500 / Fax: (11) 5031-3462. e-mail: [email protected] - site: www.ground.com.br. Endereço: Rua Lacedemônia, 68 (Vila Alexandria), 04634-020 São Paulo - SP


