Livro vai contar a história de Collor
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segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Fernanda Brambilla<br> Agência Estado 
Um bate-boca no Senado ecoou forte na memória de José Louzeiro. Num ímpeto, o novelista lembrou-se de uma novela inteira perdida no tempo. Quase 20 anos depois, ele começa a escrever ''um livro para refrescar a história'' e contar o que a TV não pôde mostrar.
''Eu o vi falando alto, com a mesma postura do passado, e fiquei abismado. Era o mesmo herói nacional inventado de anos atrás.'' Na tela, o senador alagoano e ex-presidente da República Fernando Collor de Mello (PTB-AL) esgoelava com o senador Pedro Simón (PMDB-RS). Foi o que fez Louzeiro relembrar de uma novela inteira que foi censurada.
Em 1993, os autores Alexandre Lydia e Eloy dos Santos se juntaram a Louzeiro para escrever a macrossérie ''O Marajá'', que faria, na hoje extinta TV Manchete, uma grande sátira ao passado então recente do cenário político. ''Achamos sósias de Collor e de Rosane (sua esposa na época) e era tudo muito bem humorado. A história era a mesma da vida real, só os nomes foram poupados: os vigaristas eram Elle e Ella'', lembra o novelista.
O enredo contava a história de um presidente corrupto, vaidoso ao extremo, charlatão. ''Seria um docudrama e nossa ideia era realmente essa: aproveitar o acervo jornalístico do caso do impeachment e fazer algo novo na TV'', diz Eloy dos Santos.
Segundo lembra, a ideia da novela partiu do diretor artístico da Manchete, Fernando Barbosa Lima (morto em 2008), ainda no ano em que Collor perdeu a presidência (1992).
Cerca de 70 capítulos estavam escritos, dos quais 13 editados e prontos para ir ao ar quando, no dia da estreia, a notícia da censura chocou o elenco e os diretores. No papel principal, Hélcio Magalhães, de 55 anos, representava Collor e seu irmão, Pedro. ''Aquela foi a melhor interpretação da minha vida, tenho certeza'', diz Hélcio.
''Cada trejeito, a pose, a impostação. Tudo foi meticulosamente estudado'', lembra Hélcio. ''Na época, Collor alegou que a novela era imoral, que ofenderia a honra da família dele. Disse que teria cenas de nudez, mas o máximo que fizemos foi gravar na cama, eu de pijama, e Ella (Vânia Bellas) de baby-doll.''
Na memória do elenco, o susto da proibição não se apagou. ''Ficamos perplexos. Afinal, não havia mais ditadura. Aquela seria uma novela inovadora, uma sátira inteligente. Eu só tinha 27 anos e seria o piloto do Collor, playboy como ele'', lembra Alexandre Borges. ''Achávamos que a Manchete teria força. Só não imaginávamos que, mesmo depois de um impeachment, Collor teria ainda mais força do que nós'', conta Ângela Leal, que fazia o papel da voz do povo, representada em uma mulher que ''perdeu todo o dinheiro que tinha no banco, exceto o robe e os bobes da cabeça''.
Um dos coautores da série, Alexandre Lydia começou a ''juntar os cacos'' para o livro de Louzeiro. ''Será um livro-denúncia. Mas, além dele, vamos tentar recuperar alguns capítulos e veiculá-los na internet, para fazer alarde.''


