Livro traz fatos que unem grana e estética
São Paulo - Não é de hoje que artistas se relacionam bem ou mal com dinheiro. Artesãos medievais guardavam segredos de produção e pintores das cortes trocavam telas por proteção e prestígio político. Mas algumas coisas aconteceram entre os toques finais dos afrescos na capela Sistina e a mutação da arte contemporânea em commodity e forte ativo financeiro.
Um livro recém-lançado pela Zahar tenta dar conta desses fatos, ilustrando cada etapa com obras clássicas que juntam grana e estética, do ''Zero Dólar'' de Cildo Meireles a peças de Duchamp.
''Essa relação entre arte e dinheiro sempre foi central para o significado da arte'', diz Paul Mattuck, um dos autores de ''Arte & Dinheiro''. ''Mas agora isso está mais claro: arte tem a ver com progresso, sucesso e poder, virou uma coisa glamourosa.''
Na esteira do glamour, outros ensaios no livro vão direto ao ponto, enxergando a arte contemporânea num contexto semelhante às megaproduções de Hollywood. ''Esse fenômeno deslocou as artes visuais para a indústria do entretenimento'', escreve o crítico Paulo Sérgio Duarte em seu ensaio. ''Alguns museus viraram grifes e exportam sua marca usando métodos que o mercado conhece como ''franchising'.'' (S.M.)





