São Paulo - As principais unidades de conservação brasileiras já podem ser vistas nas páginas de ''Parques Nacionais Brasil'', da Empresa das Artes. Em 240 páginas, o livro traz muitas informações e fotografias, belíssimas, dos 52 Parques Nacionais do País. Fruto de um trabalho acurado de levantamento de informações, com a colaboração do Ibama, reunidas em textos de Reinaldo de Andrade e Sérgio Simões, o livro conta também com imagens feitas por Araquém Alcântara, que há 20 anos percorre as reservas naturais do Brasil.
''Este livro é uma versão atualizada e ampliada do 'Terra Brasil''', diz Alcântara. O fotógrafo se refere à sua primeira obra dessa envergadura, publicada em 1998. De lá para cá, foram criados 16 parques nacionais. ''Foram necessários mais três anos para complementar o trabalho.''
A obra, segundo Alcântara, mostra o que ele chama de ''as verdadeiras riquezas do Brasil''. ''Os Parques Nacionais são a quintessência da natureza brasileira, a coisa mais valiosa de um povo'', diz. ''É como se fossem o tesouro de uma nação e, por isso, merecem o máximo cuidado.''
Vem à tona o inevitável. Profundo conhecedor do assunto, Alcântara demonstra indignação com a situação atual em que se encontram as unidades de conservação. ''Não dá para entender: a maior parte dos parques está fechada à visitação e não tem plano de manejo'', diz. ''Nossos santuários estão só no papel'', lamenta.
Dos 52 parques nacionais, apenas 23 servem, de fato, ao turismo. Com o auxílio do Ibama, a reportagem levantou os parques que estão oficialmente abertos à visitação. Pode parecer estranho que, por exemplo, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses para onde se vendem pacotes turísticos não apareça no mapa, mas o Ibama informa que ainda não existe controle sistemático de registro de entrada de visitantes.
''Entre as prioridades das unidades de conservação estão a pesquisa científica, a educação ambiental e a visitação pública'', ressalta o coordenador geral das unidades de conservação do Ibama, Ivan Baptiston. ''Apenas 14 parques nacionais têm plano de manejo atualizado'', informa ele. Há apenas três meses no cargo, Baptiston ressalta que estão em curso planos de fortalecimento da atividade turística nos parques nacionais. ''Buscamos também parcerias com a iniciativa privada para alavancar o funcionamento dos parques.''
O cenário atual, no entanto, é desfavorável. A falta de investimento em infra-estrutura resulta numa série de problemas. Degradação ambiental e ocupação irregular continuam assolando as reservas naturais brasileiras. A dificuldade começa na obtenção de dados. Não há estatísticas sobre quantos visitantes os parques brasileiros recebem por ano. Sabe-se apenas que o Parque Nacional do Iguaçu, o mais visitado, registrou cerca de 740 mil visitantes no ano passado. Contra-exemplo extremo, os Estados Unidos registraram o ingresso de 266 milhões de turistas em seus parques nacionais no ano passado.
No Brasil, a principal fonte de recursos dos parques é a União, que destinou este ano cerca de R$ 12 milhões para atividades de manejo e custeio das diversas unidades de conservação. ''Valor muito aquém do necessário'', diz Baptiston. E mais: a verba arrecadada com turismo não é revertida diretamente para os parques. Vai para os cofres federais.

mockup