Livro resgata história do rock
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quarta-feira, 25 de novembro de 1998
Ranulfo Pedreiro 
Corria o ano de 1961 quando Celly e Tony Campello provocaram alvoroço em Londrina ao coroar na cidade a jovem Dalva Vernillo como Rainha do Rock. O ritmo ainda engatinhava no Brasil, mas seus reflexos já pipocavam no Norte do Paraná, embalando a dança e o comportamento jovem.
ReproduçãoA música chegava exigindo aparelhagens inexistentes na região. As primeiras interpretações apareceram em violões acústicos, mas a necessidade da eletrificação forçou o grupo Os Inajás a fabricar suas próprias guitarras no fundo do quintal.
Pelos palcos de Londrina passaram ainda Os Brights, Mário Perini, Os Falcões, Os Magnatas, Os Flintstones, Os Peckers e Os Pops - considerada a primeira banda underground da região por preterir Beatles e Jovem Guarda em favor dos Rolling Stones - entre outros.
Mas o rock-n-roll pegou fogo mesmo quando a TV Coroados abriu espaço para Oswaldo e Edson Diniz, dois jovens que, sem conhecimento técnico de produção televisiva, comandaram o Ala Jovem, apresentando grupos e cantores locais. A novidade também invadiu as rádios, com programas que substituíam a narrativa formal dos locutores pelas gírias da época, comandados por Célio Alves, Jurandir Panza, Álvaro Dias e José Makiolke, entre outros.
A movimentação, que marcou época, corria o risco de cair no esquecimento. Embora recente, poucos documentos sobraram do surgimento do rock em Londrina. Disposto a recontar a história, o jornalista Ricardo Abe dedicou ao assunto três anos de pesquisa.
O trabalho resultou no livro Ala Jovem - Retratos de um Movimento, uma compilação de fotos e depoimentos sobre a febre do ritmo na cidade. O lançamento será realizado hoje, às 20 horas, na Biblioteca Municipal de Londrina.
Eu consegui reunir todo esse material por intermédio das pessoas retratadas no livro, que é uma edição limitada, destinada a esse público. Não tive recursos, a obra só saiu porque o pessoal se dispôs a comprar para cobrir a despesa, comenta Ricardo Abe.
O jornalista ressalta que a pesquisa destaca também o papel de algumas pessoas na vida cultural da região: Este livro relembra personagens que trabalharam pela arte nos anos 60 e que estavam esquecidos, como o Oswaldo Diniz, que fez o Ala Jovem num tempo em que ninguém acreditava em programa local.
Outra figura destacada por Abe é a do radialista Célio Alves. Ele trazia informação e aglutinava a juventude. Tem também o resgate do fotógrafo Daniel Martinon, que registrou boa parte desse material com uma visão artística, explica.
Como em outros lugares, o rock ditou padrões de comportamento e vestuário conflitantes com gerações anteriores: Era uma coisa até revolucionária, porque chocava os parâmetros de uma cidade comportada. Foi um pequeno alvoroço. Essa efervescência em Londrina se deve também ao fato de que era uma das poucas cidades da época que tinham televisão.
Mas o rock tomou outros caminhos, os anos dourados e a Jovem Guarda pereceram. Mesmo alguns protagonistas da época fizeram pouco caso em guardar fotografias e outros documentos. Muita gente se livrou das lembranças na lata do lixo. Os registros foram desaparecendo. Tudo isso estava sumindo. Quando comecei a fazer esse trabalho, o pessoal foi encontrando material para me ajudar na compilação, e ainda assim muita coisa se perdeu, assegura Abe.
Além do livro, Ricardo Abe estará relançando um CD em comemoração aos 30 anos do Ala Jovem. O disco reúne gravações da época, além de trechos de um show realizado em 96 em frente ao museu Padre Carlos Weiss. O álbum traz também excertos de programas radiofônicos da época. O livro será vendido por R$ 25,00, enquanto o CD sai por R$ 5,00. A Biblioteca Municipal de Londrina fica na Avenida Rio de Janeiro, 413.


