Livro resgata história da Acil
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 04 de junho de 1997
Ranulfo Pedreiro 
Corria o ano de 1937 quando um grupo de comerciantes londrinenses estabelecidos na Rua Maranhão tiveram a idéia de montar uma associação. Em reuniões, os participantes debatiam diversos assuntos que envolviam, principalmente, uma tentativa de lutar contra a precariedade da região.
Os encontros eram realizados na residência de um dos membros ou no antigo Clube Líder. Até que no dia 5 de junho a Associação Comercial e Industrial de Londrina - Acil - foi oficialmente fundada. Há exatamente 60 anos. Para comemorar a data, a Acil está lançando o livro Poder Emergente no Sertão, do jornalista Windson Schwartz. A obra resgata a história da associação, contextualizando-a no desenvolvimento da cidade.
Para remontar os fatos, o jornalista teve que mergulhar nos arquivos da Acil, pesquisar antigas reportagens, estudar obras sobre a cidade e realizar entrevistas. O método de pesquisa e a narrativa utilizadas dão ao lançamento o aspecto de uma grande reportagem. O livro tem esta tendência até para facilitar a leitura e torná-la mais interessante, revela Schwartz.
O jornalista ressalta que a obra traz, além de casos conhecidos, o aspecto econômico da época. Não se trata de prestação de contas da diretoria, é apenas a história da Acil no meio de uma cidade que estava se expandindo, no momento em que a atividade econômica do local deixa de ser a extração de madeira para dar lugar à entrada da lavoura de café.
Centro de debatesFundada em pleno Estado Novo, a Acil acabou se tornando uma espécie de centro de debates dos interesses da região, uma vez que o novo regime havia interrompido as atividades do Legislativo. Uma das brigas que a associação comprou na época foi o aumento de vagões para a região. Como faltava transporte, a madeira era empilhada até ser levada para outras localidades. A discussão com o governo se estendeu até a década de 50, comenta Schwartz.
A associação também se manifestava contra os aumentos de impostos, vigiava os prefeitos escolhidos pelo interventor e ainda mantinha contato político com a região com Curitiba. O livro não traz ficção, mas inclui fatos que se tornaram folclore, completa Schwartz.
Uma destas histórias, lembrada pelo jornalista, foi a vinda de um interventor para a inauguração da sede da Acil em 1942. Durante a cerimônia, a associação aproveitou para cobrar a necessidade da construção da ponte sobre o rio Tibagi. Com habilidade, o interventor transferiu a decisão para o dia seguinte.
Mas, ao amanhecer, ele resolveu voltar sem grande estardalhaço para Curitiba, e ficou retido na fila de caminhões que esperavam o embarque na balsa do Tibagi. Para acelerar a manobra, o motorista reclamou, dizendo que estava com o interventor no automóvel e tinha pressa para chegar na capital. A resposta foi uma verdadeira chuva de reclamações, que fez o interventor mudar de idéia. Logo que chegou em Curitiba, ele autorizou a construção da ponte.
Acostumado a pesquisar dados históricos da região, Windson Schwartz se interessou ao ser convidado por Abílio Medeiros, presidente da Acil, para escrever um livro sobre a Associação. Eu topei porque me interesso por esse tipo de trabalho, que já venho desenvolvendo há tempos. Este livro pode ter imprecisões, mas é mais um trabalho para estruturar a história da cidade. É de retalho em retalho que um dia conseguiremos montar esta história, assegura o jornalista. O lançamento será realizado a partir das 20 horas na sede da Acil, na Rua Minas Gerais, 297, 1º andar, em Londrina.
Até o fechamento desta edição, o preço da obra ainda não estava definido. O livro foi impresso com base na Lei de Incentivos Fiscais à Cultura, com patrocínio da Jabur Processamento de Dados, Transportes Coletivos Grande Londrina e Vega Sopave. A obra será enviada para bibliotecas, escolas e associados, e estará à venda em bancas e livrarias.


