Curitiba O fascínio pelo tema da morte levou a Relações Públicas e pesquisadora Clarissa Grassi, 29 anos, a fazer o registro fotográfico do acervo tumular do Cemitério Municipal São Francisco de Paula. Quase três anos de andanças pelas ''ruas'' da necrópole resultaram na produção de mais de 2,5 mil fotos. A seleção dessas imagens pode ser conferida no livro ''Um Olhar...A Arte no Silêncio'' (150 páginas, preço médio R$ 30,00).
''A intenção do livro é resgatar a beleza das esculturas e a simbologia e iconografia nelas existentes, que denotam diversos significados'', apresenta Grassi. Para viabilizar a execução do título, a pesquisadora elaborou um projeto que foi aprovado, em 2005, pela Fundação Cultural de Curitiba, através da Lei do Mecenato Subsidiado. ''Sempre gostei de arte tumular e ficava incorformada das pessoas não apreciarem pelo fato dela estar no contexto de um cemitério. Afinal, a única certeza que a gente tem é que um dia vai morrer'', defende Grassi. Uma exposição sobre o tema fica em cartaz até o dia 20 de agosto no Museu da Fotografia (no Solar do Barão, Rua Carlos Cavalcanti, 533).
Para extrair das pessoas um olhar diferenciado sobre a arte cemiterial, Clarissa resolveu adotar um enquadramento detalhado para mostrar o acervo estatuário do Municipal. No livro, cada escultura recebe uma edição diferenciada (em média duas páginas) com objetivo de recontruí-la, e só no final do título o leitor poderá visualizá-la no seu contexto tumular. Foram realizadas 2,5 mil imagens em preto e branco, das quais foram selecionadas 400.
A pesquisadora lembra que existe uma progressão nos tipos de necrópoles ao longo da história que valoriza ainda mais a preservação desses locais. Primeiro surgiram os cemitérios intra-muros, como é o caso do Municipal. Depois teve a onda dos verticais e na sequência os de parques, aqueles de campo verde e florido, que parecem o ''paraíso''. Por fim, a cremação. (F.G.)

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