Livro refaz a vida teatral de Paulo Autran
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de outubro de 1998
Jotabê Medeiros Agência Estado 
O crítico de teatro do Jornal da Tarde, Alberto Guzik, acaba de lançar pela Boitempo Editorial o livro Paulo Autran - Um Homem no Palco. A alentada entrevista de Autran a Guzik tem 167 páginas e foi concedida entre 1996 e 1997 no apartamento do ator, durante sete sessões. Ao menos no teatro recente, não me lembro de outro ator que tenha transitado com tanta desenvoltura de MoliSre a Shakespeare, passando por Pirandello, Ibsen, Sófocles, Beckett, Pinter, Marguerite Duras e outros de primeiro time, além de uma lista considerável de autores de segunda linha, entre eles os mestres boulevardiers Sauvajon e Poiret, diz Guzik.
Autran, que festejará 50 anos de teatro em 1999, rememora toda a sua carreira e aborda praticamente todos os temas: a televisão, a política, a direção, a censura, as técnicas de ator, os prêmios, a vaidade de Ziembinski. O ator conta como se acidentou quando comprou seu primeiro automóvel, um Fusca, lembra que Bibi Ferreira tinha pena dele em uma peça na qual precisava atirar um chinelo no ator e fala do fim da parceria na companhia de Tônia Carreiro.
Eu nunca planejei minha carreira: fui montando uma peça depois da outra, diz Autran. E manifesta confiança na perenidade do teatro. Se alguma coisa não vai morrer tão cedo, é o teatro, afirma. As idéias novas, a quantidade de gente que se interessa por teatro, que faz teatro, que faz coisas que às vezes odeio, mas me fazem também ficar contente (...), isso para Paulo Autran é uma prova da vitalidade do teatro.


