Livro reconta a saga mineradora no Brasil
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quarta-feira, 20 de abril de 2011
Antonio Gonçalves Filho 
São Paulo, 05 (AE) - A história do Brasil está sendo recontada com muito êxito por jornalistas, como provam os livros - todos best-sellers - do gaúcho Eduardo Bueno, do paranaense Laurentino Gomes e do recém-chegado na área Lucas Figueiredo, mineiro que lançou no começo do mês o livro ''Boa Ventura! - A Corrida do Ouro no Brasil'' (1697-1810).
O autor conta no livro como Portugal resolveu seus problemas de insolvência financeira buscando no Brasil o ouro que iria salvar da penúria uma corte endividada e invejosa da sorte espanhola. Enquanto Portugal só conseguia levar pau-brasil nos primórdios da ocupação americana, os espanhóis já extraíam do continente mais de 600 quilos de ouro, chegando a quase uma tonelada em meados do século 16.
Figueiredo resolveu contar essa história tomando como ponto de partida uma enorme pepita, do tamanho de um melão, pesando pouco mais de 20 quilos, provavelmente a maior extraída no Brasil no período da corrida do ouro (1697-1810). Ela foi levada para Portugal, trazida de volta e mais uma vez trancafiada nos cofres reais portugueses. O torrão só seria exposto pela primeira vez em 1991, desmentindo os boatos de que teria sido roubado pelas tropas napoleônicas após a invasão da capital portuguesa.
O livro ''Boa Ventura!'' mostra como monarcas perdulários e sonegadores de impostos ajudaram involuntariamente a transformar uma colônia raquítica de 300 mil habitantes numa Eldorado de aventureiros seduzidos pelo ouro. Em 1697, el-rei já colocava a mão no precioso metal brasileiro, atraindo a atenção de espiões franceses que, instalados em Lisboa, viam chegar navios trazendo ouro em barra para a corte portuguesa. Até padres largaram o serviço religioso e se fizeram mineiros.
''O ouro mudou a economia mundial e a cultura da colônia, que sustentava o luxo e a ostentação da corte portuguesa, mas estimulou o surgimento do movimento musical mais elevado das Américas no século 18, além de propiciar a aparição de escolas de arquitetura e arte em Minas, transformada em centro irradiador de cultura'', diz Figueiredo, mostrando o outro lado de uma corrida que atraiu 600 mil portugueses em meio século.


