‘‘Albert Camus - Uma Vida’’, de Olivier Todd, não é apenas mais uma biografia de um dos mais influentes escritores do pós-guerra. É, antes de mais nada, um minucioso ensaio sobre um escritor multifacetado, polifônico e admiravelmente sedutor. Como pano de fundo, Todd se remete às cinco primeiras décadas deste século, colocando no centro da história toda uma geração de intelectuais que viviam o dilema de optar por ser ou não comunista. Camus, por sua vez, sempre deixou claro que era um homem de esquerda. O escritor nasceu numa fazenda em Mondovi, na Argélia, em setembro de 1913, e antes dos 30 anos se tornou uma celebridade com a publicação de ‘‘O Estrangeiro’’.
Com base em correspondências do escritor, em gravações inéditas e entrevistas com familiares, amigos e amantes de Camus, Olivier Todd destrincha a trajetória do escritor argelino no livro de 877 páginas. Além de desvendar os bastidores de uma época, percorre um mapa que vai da Espanha à Indochina, traz uma história densa, na qual o personagem parece estar sempre por um fio e o mundo a explodir. O autor da biografia mostra um Camus duvidoso consigo mesmo e o lado infiel do escritor em dois casamentos. Camus anotava tudo em cadernos e fazia amigos com facilidade. Todd lembra também o seu lado mulherengo falando das amantes, entre elas as atrizes Maria CasarSs e Catherine Sellers.
‘‘Albert Camus - Uma Vida’’ - de Olivier Todd, Editora Record, 887 páginas, R$ 60,00.

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