Livro para ler Livro para pegar Livro para cheirar
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segunda-feira, 24 de abril de 2017
Marcos Roman<br>Reportagem Local 

O Dia Nacional do Livro Infantil, celebrado em 18 de abril, foi comemorado com otimismo no Brasil este ano. Enquanto o mercado geral de livros registrou uma queda de 9,7%, Dados do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) mostram que houve um crescimento de 28% nas vendas do gênero infantil no ano passado em comparação com 2015. Os dados tratam dos livros vendidos no varejo, em livrarias, e foram levantados a pedido da Agência Brasil.
Na avaliação da empresária londrinense Denise Gentil, proprietária da Loja Ciranda, a abordagem de temáticas atuais e diversificadas e o investimento em edições ricas em ilustrações tem ajudado a despertar o interesse das crianças pela literatura. "Ao contrário dos leitores adolescentes que têm migrado para a leitura no formato digital, um ambiente já comum para eles, as crianças ainda são estimuladas pelos atrativos da edição impressa. Elas ainda precisam do contato físico, gostam de explorar a textura das páginas e apreciar o colorido das imagens. E as editoras têm investido cada vez mais em publicações muito ricas neste sentido, algumas exploram até o olfato, com cheiros característicos", argumenta.
Denise também destaca como outro atrativo para o público infantil as temáticas focadas em publicações mais recentes. "Muitos escritores têm acompanhado discussões da sociedade muito atuais, como a questão da luta feminista , presente em livros que são fenômenos de vendas e que estão substituindo a imagem idealizada das princesas de antigamente. É o caso do livro Princesas, Bruxas e Uma Sardinha na Brasa (escrito por Helena Gomes e Geni Souza e lançado pela editora Biruta) ou de livros que narram histórias de mulheres reais e fortes, como Frida Kahlo, Clarice Lispector e Violeta Parra. Tem ainda livros recentes que abordam de forma muito leve temas considerados complexos para as crianças, como angústia e doenças que podem atingir pessoas da família, entre elas o Alzheimer, o Mal de Parkson e outras", salienta.
A livreira enfatiza ainda que os pais têm um papel fundamental no processo de estimulo à leitura dos filhos. "A gente tem percebido que até mesmo que até casais que não têm o hábito de ler estão incentivado os filhos a lerem desde pequenos", ressalta Denise, que visando estimular as vendas oferece atividades como oficinas, contação de histórias e troca de livros entre crianças.

LEITURA A PARTIR DA FAMÍLIA
A pedagoga Camila Fernandes Ferreira também reforça a importância da família neste processo. "A escola e os pais devem desenvolver um papel compartilhado neste sentido. Enquanto no ambiente escolar as crianças têm o estímulo ligado à aprendizagem, a leitura na companhia dos pais está mais ligada ao prazer, que é o primeiro passo para que se tome o gosto pela literatura", salienta.

A pedagoga enfatiza que o hábito da leitura pode trazer inúmeros benefícios para as crianças desde os primeiros anos de vida. "A leitura ajuda na ampliação do vocabulário, no desenvolvimento fonológico, no despertar da curiosidade, na percepção de que existem outros grupos sociais além do que a criança está inserida. Outro ponto fundamental é o processo inicial de concentração. Ao ficar interessada em saber como será o final de uma história, a criança passa a desenvolver uma concentração que muitas vezes ainda não faz parte de seu universo, mas que passará a ser usada em outras tarefas que vão além da leitura", enfatiza.
Um estudo da Universidade de Nova York, em colaboração com o IDados e o Instituto Alfa e Beto, divulgado no ano passado, mostrou um aumento de 14% no vocabulário e de 27% na memória de trabalho de crianças cujos pais leem para elas pelo menos dois livros por semana. O estudo revelou ainda que a leitura frequente para as crianças leva à maior estimulação fonológica, o que é importante para a alfabetização, à maior estimulação cognitiva e a um aumento de 25% de crianças sem problemas de comportamento.


