São Paulo - Dúvidas sobre amor e sexo todo mundo tem. Outra dificuldade comum é encontrar um confidente isento e sensato para desabafar. Talvez essa tenha sido a razão do sucesso da consultora sentimental Amarilys. Para quem não sabe, ela é a personagem que a escritora Sônia Rodrigues criou há sete anos, quando estreou sua coluna no ''Suplemento Feminino'', no jornal ''O Estado de S. Paulo''. Do papel, Amarilys foi parar no site Amar é Muito Bom (www.amaremuitobom.com.br) e, da internet, pulou para o livro ''Como Fazer Sexo ou Amor sem se Machucar Muito'' (Geração Editorial).
A publicação nasceu dos milhares de e-mails que Sônia recebeu. Ela selecionou os mais significativos, comoventes e engraçados. Muito mais do que uma consulta, as perguntas e respostas publicadas servem para mostrar o quanto os problemas amorosos continuam iguais entre os seres humanos, independentemente de idade, sexo, cor ou nacionalidade. ''As pessoas sofrem do mesmo jeito, porque amor dá trabalho e machuca'', diz a autora. ''Quantas vezes não estava passando por algum problema e, ao me deparar com os e-mails, me identifiquei com as perguntas?
É fácil de se identificar com alguns dramas expostos: ''me tornei amiga da mulher do meu amante'', ''não consigo fazer minha namorada ter orgasmos'', ''como posso saber se a minha namorada gosta mesmo de mim?'', ''tive um caso extraconjugal e agora não consigo me sentir bem com o meu marido'', ''meu marido me trata mal'', etc. O livro faz do leitor um voyeur dos desencontros alheios. O que mais interessa, entretanto, são as respostas que Sônia Rodrigues dá, encarnada na personagem Amarilys. Curtas e diretas, funcionam como o toque de um amigo vivido, observador e perspicaz. Assim é a autora, que traz na bagagem 22 livros, um divórcio e três filhos. No momento, ela está saindo de uma paixão. ''Mas aberta a outras'', anuncia.
Filha do genial Nelson Rodrigues, ela não esconde a herança. ''Respondo dentro da moral sexual rodriguiana'', brinca. ''Não julgo ninguém, porque, no amor, não se faz necessariamente o que se quer ou o que se deveria fazer, mas o que se pode.'' Essa tolerância às questões amorosas está intimamente ligada à história de Sônia, que nasceu de uma paixão de Nelson Rodrigues fora do casamento. Por isso, conviveu com a desaprovação e discriminação de muitos.
Amarilys é a personagem de Sônia assim como Myrna e Suzana Flag eram as de Nelson nos anos 40. Como a primeira personagem, ele escreveu folhetins para ''O Jornal''. Depois, brilhou como Myrna, respondendo a cartas de mulheres ''que amam e sofrem'', como ele mesmo escreveu, no jornal ''Diário da Noite''. Myrna deu origem ao livro ''Não se Pode Amar e ser Feliz ao Mesmo Tempo'' (Companhia das Letras), e Amarilys seguiu o mesmo caminho.
Mas os pontos em comum param por aí. Enquanto Nelson esmiuçava o comportamento amoroso de suas leitoras, Sônia é concisa em suas respostas. Em ''Como Fazer Amor sem se Machucar Muito'', as cartas estão divididas por tema, organizados em ordem alfabética, como: Amor à Distância, Barraco, Chifre, Discutir Relacionamento, Ex, Ficar, Grude, Homem Comprometido, etc. Enfim, a vida como ela é.

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