Livro mostra o melhor da imprensa
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de janeiro de 1998
Agência Estado 
O recém-lançado livro 100 Páginas que Fizeram História (Editora LF&N, R$ 60,00) é um passeio pelos arquivos de jornais e revistas do País, muitos deles extintos, como o Jornal das Moças, Jeca Tatu, O Malho, ou as revistas Careta e Fon Fon. O organizador da obra, o jornalista Alberto Dines, diz que o livro é a possibilidade do reencontro do leitor fiel de jornal com o passado.
A obra, uma edição de luxo, reproduz as cem primeiras páginas de jornais e revistas publicadas nos últimos 80 anos: de 1917, ano que marcou o início do fim da 1ªGuerra Mundial e o advento da Revolução Russa, até a crise mundial atual nas bolsas de valores, em dezembro. Para chegar às cem páginas, Dines recolheu pelo menos 300 sugestões feitas por jornais e revistas.
O Estado de S.Paulo e o Jornal da Tarde têm, cada um, cinco de suas páginas reproduzidas em 100 Páginas que Fizeram História. A Revolução de 32, tentativa dos paulistas de retomar o regime constitucional, foi o destaque da edição de 12 de julho daquele ano do Estado, cuja manchete era O Movimento Constitucionalista Iniciado em S. Paulo Ganha Terreno Hora a Hora. No dia 1ºde setembro de 1939, o Estado anunciava, na sua segunda edição, o início da 2ª Guerra Mundial: Começa a Guerra na Europa, e seguia-se um texto sobre o ataque à Polônia.
Num salto no tempo, a edição de 5 de dezembro de 1963 do Estado ganha destaque no livro com a manchete: Senador atira no rival e mata suplente pelo Acre em plena sessão, sobre o atentado cometido pelo senador Arnon de Mello contra seu colega, o senador José Kairala. A primeira página da edição estampou uma sequência de oito fotos com os momentos que antecederam o disparo de Arnon de Mello.
Em 1973 os tempos são de ditadura militar e a edição de 10 de maio traz um bom exemplo do malabarismo da imprensa para driblar os censores e transmitir seu recado. Como nada podia fazer contra a demissão do ministro da Agricultura do governo Médici, Luís Fernando Cirne Lima, que defendia melhor distribuição de renda, o Estado publicou a notícia da queda do ministro e, logo abaixo, com destaque, estampou o anúncio de um programa da Rádio Eldorado: Agora é Samba.
Algumas das imagens mais marcantes publicadas na primeira página do Jornal da Tarde também estão no livro. Difícil esquecer a edição de 6 de julho de 1982, dia seguinte à desclassificação da seleção brasileira na Copa do Mundo, em que uma única foto ocupava toda a primeira página do jornal: um menino chorava vestido com a camisa da seleção.
No ano seguinte, o Jornal da Tarde iniciou a publicação de uma série de charges em que o então governador Paulo Maluf aparecia com nariz de Pinóquio, que crescia, edição após edição, à medida em que a Paulipetro acumulava prejuízos. Em 1984, traduzindo o luto vivido pela sociedade com a derrota da Emenda Dante de Oliveira pelas eleições diretas, a primeira página do Jornal da Tarde chegou às bancas totalmente negra.
Esses e tantos outros acontecimentos em 80 anos de história o leitor pode (re)encontrar em 100 Páginas que Fizeram História.


