São Paulo, 29 (AE) - O livro "Arte Barroca Brasileira para Crianças", que será lançado amanhã (30) à noite por Marilyn Diggs Mange, traça um resumo bastante completo do período áureo da arte colonial do País. A obra não apenas descreve as principais características do barroco brasileiro como também procura mostrar aos leitores que ele continua exercendo forte influência na arte e na cultura nacional.
"Podemos afirmar que a estética barroca se tornou um modo de ver o mundo, na medida em que influenciou a moda, os costumes, os comportamentos e as crenças", afirma a autora. Com um texto simples e adotando a linguagem das histórias em quadrinhos, o livro tenta atingir uma ampla faixa de público, podendo agradar não apenas ao leitor infanto-juvenil, mas também aos adultos que quiserem conhecer melhor a história do Brasil.
A autora, que é norte-americana, mas vive no País desde 1985, criou dois personagens curiosos para guiar o leitor nessa aventura. Num primeiro momento, um grãozinho de café escapa da tela "Café, de Cândido Portinari, e fala ao leitor sobre o que é arte. Depois dessa introdução de cunho mais genérico, ele passa a ter um companheiro especialista no tema do livro: um simpático anjinho mulato que "mora" no teto da Igreja de São Francisco de Assis, em Ouro Preto - uma das obras-primas do mestre Manuel da Costa Ataíde.
Apesar desses personagens bastante singelos, o conteúdo do livro é denso. Por meio de comparações com a arte barroca desenvolvida na Europa (no Brasil, essas formas de expressão artística surgiram com uma certa defasagem e adquiriram personalidade própria), Marilyn explora os principais aspectos da produção artística brasileira que teve seu apogeu entre 1763 (mudança da capital para o Rio) e a chegada da Missão Francesa, no início do século 19, quando surge o neoclassicismo.
Marilyn traça um perfil dos principais artistas e obras barrocas e fornece interessantes explicações técnicas (comparando as diferentes maneiras de esculpir cariátide, à moda grega e brasileira) ou pitorescas, contando a origem do nome da cidade de Ouro Preto e outras histórias curiosas. Ela conta, por exemplo, que a riqueza era tão grande na cidade mineira que, após uma apresentação artística, além de palmas o público jogou pedras preciosas para os artistas no palco. Outro sinal dessa opulência é o fato de o Teatro Municipal de Ouro Preto ter sido construído em 1770, sendo o mais antigo da América do Sul.
Com um tom às vezes exageradamente otimista em relação ao estado de conservação das nossas cidades históricas (quando se sabe que ainda são inúmeras as dificuldades em preservar o patrimônio histórico), Arte Barroca Brasileira faz uma interessante aproximação com o presente, mostrando que muitos artistas deste século se alimentam desse caldeirão cultural. Entre eles estão mestres como Guignard, Portinari e Niemeyer, ou artistas contemporâneos no auge de sua produção. Sérgio Romagnolo e Adriana Varejão são citados como exemplos dessa tentativa de trazer o passado para o presente, "dando uma nova interpretação ou um significado simbólico" aos elementos resgatados. Serviço - "Arte Barroca Brasileira para Crianças, de Marilyn Diggs Mange. Ed. Martins Fontes. 72 págs. R$ 27,50. Lançamento amanhã, às 19 h. Livraria Martins Fontes. Rua Manoel da Nóbrega, 81, loja 20.

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