Foi em 1942, quando morava nos Estados Unidos, que Saint-Exupéry, após convencer seus editores, decolou para a inesquecível aventura de escrever um livro infantil. Inicialmente procurou o artista plástico Bernard Lamotte para fazer as ilustrações mas, vendo que a resultado não era aquilo que esperava, decidiu ele mesmo ilustrar ‘‘O Pequeno Príncipe’’. Vários de seus personagens já tinham aparecido em livros anteriores e mesmo algumas de suas inquietudes.
Amigos que vinham visitá-lo em New Jersey eram acordados no meio da noite por um Exupéry super entusiasmado querendo ler um trecho do texto que acabara de escrever. ‘‘Planeta estranho. Problemas estranhos. Estranha linguagem. Talvez seja um planeta onde a vida seja simples’’, escreveu certa vez à amiga Silvia Reinhardt, que sempre reclamava dos atrasos de Exupéry nos encontros. Ela acabou lhe inspirando a raposa, personagem do ‘‘Pequeno Príncipe’’.
A obra foi criada em um momento em que o escritor não estava em boas condições físicas e morais, o que fez com que descrevesse um mundo no qual tem a impressão de vegetar. O livro reúne suas angústias e verdades, utilizando todas as faces e subterfúgios de um garotinho para falar das coisas mais fortes que Exupéry vinha guardando há anos em seu coração. Previsto para a Natal de 1942, o livro aparece somente em abril de 1943.
Seu autor jamais imaginou que o ‘‘Pequeno Príncipe’’ estivesse traduzido, 57 anos depois, em mais de 120 idiomas e que fosse um dos maiores sucessos de venda do planeta. Seu livro perde apenas para a ‘‘Bíblia’’ e ‘‘O Capital’’, de Karl Marx, em número de exemplares vendidos. Cada geração se maravilha em torno da filosofia um pouco triste e com a poesia que emana de cada imagem desta doce história. As ilustrações originais estão em poder da biblioteca Pierpant Margan Library, em Nova York.(R.M.)

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