O baú do escritor chileno Roberto Bolaño (1953-2003) continua sem fundo. As livrarias da Espanha acabam de receber exemplares de ''O Terceiro Reich'', romance inédito cuja descoberta foi anunciada durante a Feira de Frankfurt do ano passado por seu agente, Andrew Wylie, conhecido como ''Chacal''.
O lançamento foi considerado um acontecimento literário entre os espanhóis e o livro deverá chegar ainda neste ano ao Chile, Argentina, México, Uruguai e Venezuela, entre outros países latinos de língua espanhola - no Brasil, a obra de Bolaño é editada pela Companhia das Letras, que promete para maio a edição de outro romance póstumo, ''2666'', lançado em 2004.
Escrito à máquina e corrigido à mão em 1989, ''O Terceiro Reich'' trata-se de uma narração em forma de diário escrito por Udo Berger, um jovem alemão de 25 anos apaixonado por jogos de guerra. Campeão em seu país, ele também escreve artigos sobre o tema em revistas especializadas. Berger viaja de férias à Costa Brava, região noroeste da Espanha, onde se hospeda no Hotel del Mar, justamente o local onde passava os verões quando criança. O retorno marca sua primeira viagem ao lado da noiva Ingeborg.
Lá, Berger procura relaxar a seu modo: instala na mesa redonda de seu quarto um tabuleiro com hexágonos do Terceiro Reich e fichas de batalha. Ao mesmo tempo, ele e Ingeborg conhecem outro casal de alemães, na danceteria do hotel, e logo programam atividades juntos.
Depois de uma noite regada a muita bebida, os quatro decidem ir à praia e lá Charly, o rapaz do outro casal, desaparece. Quando sua ausência é quase determinada como morte, ele reaparece e seu retorno desperta reações inesperadas entre os quatro jovens.
Considerado um dos melhores escritores latino-americanos surgidos no fim do século passado, Bolaño alcançou repercussão internacional graças aos elogios que recebeu em 2008 da crítica norte-americana, especialmente depois do lançamento de ''2666'' em inglês. Em pouco tempo, o autor tornou-se ''um talismã da cultura literária dos Estados Unidos'', segundo assegurou o jornal ''The New York Times''. Naquele mesmo ano, a obra foi considerada o melhor livro do ano pela revista ''Time'', além de faturar o National Book Critics Circle Award.
Sua obra foi motivo de discussões e elogios também na Europa, especialmente por conta dos periódicos franceses ''Le Monde'' e ''Libération'', além de figurar na cabeceira de nomes famosos como Susan Sontag.
A escrita de Bolaño tornou-se marcante por abordar temas explosivos sob um refinamento intelectual único, que utiliza tanto o terror político como a íntima relação entre o mal e a literatura como ingredientes principais. Sua morte prematura foi graças a uma enfermidade hepática, quando ele aguardava um transplante de fígado.

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